Vou xingar de filhodaputa pra baixo o birdwatcher que não apoiar a libertação da fotografia e divulgação da natureza brasileira

Há uns dias atrás iniciei uma série de posts para reclamar das vezes em que somos proibidos de fotografar em parques públicos, e principalmente como isso se reflete no vazio cultural sobre a natureza brasileira. Procure em sites de livrarias ou na Amazon: há pouquíssimas publicações sobre o país com a maior biodiversidade do planeta. E quase nada sobre os parques públicos. A Shutter Stock tem uma orientação de que as fotos dos parques nacionais brasileiros nem podem ter uso editorial.

O assunto chegou a gestores do ICMBio graças a um gestor que sempre me apoiou nessa questão de liberdade para fotografar e divulgar (mas que é tão bom e modesto que me falou pra ficar anônimo)  e ontem o presidente do ICMBio, Cláudio Maretti, abriu um canal de comunicação público no próprio Facebook dele.

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=662011367264759&id=100003677040576&comment_id=662340840565145&ref=notif&notif_t=like

Eu sei que o que se conversa no Facebook pode ser muito diferente do que o jurídico vai aprovar. Mas pelas declarações vemos que há boa vontade e chances reais de mudarmos a portaria do ICMBio, para que fique claro que fotografia tanto amadora como profissional precisa ser incentivada em vez de inibida, e que os cidadãos podem ajudar a divulgar e cuidar dos parques.

Cláudio Maretti assumiu há 2 meses. O gestor até 2012, Rômulo Mello aprovou uma portaria totalmente diferente do que foi discutida com a AFNatura, e dizia que fotógrafo de natureza tem que pagar taxa.

Se não conseguirmos mudanças por vias amigáveis, o caminho mais provável seria o jurídico. Mas isso significa Projeto de Lei, dois anos de briga, depender de políticos.

 

Participe da conversa, apoie a liberdade para fotografar e divulgar, tanto para amadores como para profissionais.

Além de participar da conversa com Maretti, precisamos agir para que a Fundação Florestal siga o mesmo caminho. Mande mensagem pra
ouvidoria@fflorestal.sp.gov.br. Se quiser uma sugestão de texto tem aqui: http://claudiakomesu.club/uma-grande-chance-para-libertar-a-fotografia-e-divulgacao-da-natureza-brasileira-conversas-com-icmbio-e-contato-com-fundacao-florestal/. E se a Fundação Florestal abrir o diálogo, vamos participar como está sendo feito com o post de Cláudio Maretti.

 

Longe de mim querer ameaçar ninguém, mas eu vou rogar pragas contra os birdwatchers que não forem no post do Maretti apoiar a liberdade para fotografar e divulgar, e contra os que não apoiarem a luta com a Fundação Florestal, que possivelmente será muito pior. Por enquanto não sabemos se há pessoas sensatas por lá, como tem no ICMBio… e o que a a AFNatura fala, e minha experiência pessoal (assessoria de imprensa que não responde, não diz quais são as regras pra fotografar nos parques), não indicam coisas boas.

Saio de férias hoje e só volto no início de agosto, não poderei acompanhar as conversas. Mas na volta vou olhar.

Se você é birdwatcher, desses que está sempre fotografando, e não entende que nosso diálogo com os gestores é fundamental, que temos uma oportunidade concreta de contribuir para a valorização da natureza brasileira, que observação de aves também significa cuidar da natureza, eu digo:

– vá se foder.

– que sua lente embace, que seu estabilizador pife, que sua bateria acabe, que suas pilhas do flash melem, que seu cartão dê pau e você perca todas as fotos, que você não consiga focar justo no momento em que aquela ave raríssima, primeiro registro pro Estado, aparece na sua frente, mas seu colega ao lado sim. Que você veja a ave no limpo, num tronco lindo, sob um raio de sol de fim de tarde, ela olhando pra você com brilho nos olhos… mas que ela voe antes de você conseguir clicar. Ou que suas fotos dela alimentando o filhote ou a fêmea sejam sempre com galhinhos na frente dos olhos.

– e que um dia você olhe pra sua grande coleção de fotos e sinta um vazio por serem apenas fotos, por você nunca ter passado pela satisfação de ver seu trabalho contribuindo pra proteção, valorização e ampliação das áreas naturais… porque você achava que birdwatching era só conseguir lifers e likes, e que preservação era só um assunto chato.

– não precisa ser assim!! Não tem problema ser louco por lifers e likes, basta não ficar só nisso. Entenda que ser birdwatcher exige compromisso com a natureza, que é preciso lutarmos pela preservação e valorização. Sem natureza não tem aves. E a situação anda grave. As forças pra quem interessa a destruição dos habitats são fortes, ricas, bem articuladas. A gente não. Toda ajuda conta, todo trabalho de formiguinha conta.

Sei que não posso exigir que alguém passe a ser politizado e consciente.

Mas peço que agora, só por essas semanas ou meses em que durar a conversa, apoiem a libertação da fotografia e divulgação. A natureza brasileira precisa de toda ajuda possível. Nós temos em nossas mãos as fotos, a capacidade de ajudar muito na divulgação e valorização das unidades de conservação. Mas precisamos que os gestores nos libertem e passem a cultivar uma relação de parceria e não de tirania.