Você está no comando da sua vida

Nação misantropa,

espero que este tenha sido mais um ano bom. Não importa o que tenha acontecido com vocês, pesa menos o que aconteceu e mais o significado que você deu pros acontecimentos.

Não temos como dizer que o ano foi prazeroso se não foi, dizer que foi alegre, gostoso, tranquilo, cheio de momentos deliciosos se não foi isso que aconteceu. Mas sempre está em nossas mãos processar o ocorrido e transformar os maiores perrengues, chatices ou mesmo dores e tragédias em acontecimentos com um significado.

A passagem do tempo, todos os dias, a cada minuto, nos oferece a oportunidade de nos cultivarmos como pessoas melhores. De curar feridas, diminuir as fraquezas, de nos transformar, tanto a aparência como o conceito e portanto a essência de quem nós somos.
A realidade é uma ficção. Não existe a realidade, e sim inúmeras realidades, inúmeras visões de mundo, cada uma depende da mente, da percepção e da história de cada um. O que é relevante e nos faz sentido passa a fazer parte do que prestamos atenção, todo o resto é ruído.

Assim como não-birdwatchers só enxergam folhas e galhos onde nós vemos aves pequenas, está dentro do poder da escolha de cada pessoa se sintonizar em bondade, generosidade, superação, fraternidade. Ou em fofoca, maldade, picuinhas. Nós temos essa escolha.

A Seicho-no-ie e várias outras correntes orientais falam sobre o poder dos nossos pensamentos e palavras moldando a realidade. Um exemplo que sempre falavam é de como seu filho será diferente se você criá-lo com amor, apoio e incentivo, ou com críticas ou descaso.

Falando assim parece óbvio, não? É claro que uma criança criada de forma amorosa (mas não condescendente) terá mais chances de se tornar um bom adulto do que aquele criado em meio a críticas e desprezo. Mas o que muita gente não consegue enxergar é que o mesmo vale pra nós mesmos: muita gente vive uma vida infeliz porque nos alimentamos de críticas e desprezo, em vez de nos conectar com compreensão e amor, especialmente na hora de nos julgarmos. Nos tratamos com uma dureza e crueldade que nunca destinaríamos a um amigo.

Este post mistura vários conceitos, mas queria destacar que continuo adorando o livro da Lisa Barret. Estou lendo aos poucos, e provavelmente vou reler quando terminar, mas há vários trechos que fico marcando, não tanto por serem algo totalmente inesperado, mas por saber que a neurociência confirmar em experimentos coisas que a gente desconfia faz tempo.

https://www.amazon.com/How-Emotions-Are-Made-Secret/dp/0544133315

As descobertas da neurociência dos últimos 30 anos têm inúmeras repercussões, mas destaco esse pedacinho que me é tão caro, e que nem sei o quanto estou extrapolando em interpretar assim, o quanto apanharia dos psicólogos, mas acredito de verdade que nossos valores, nossa cultura, moldam a forma como vemos o mundo. E ainda que não seja fácil se livrar de traços culturais ou traumas de infância, há um espaço para buscarmos a escolha, para enxergarmos que não há questões inatas ou inexoráveis. E, com um pouco mais de fantasia, até acreditar que nosso destino está em nossas mãos, que temos controle sobre nossas vidas e que não somos um barco à deriva.

Uma das expressões que Lisa Barret usa é dizer que está errado o “ver para crer”, que o correto seria “crer para ver”. Nossos pensamentos e valores determinam a forma como vemos o mundo e como interagimos com o mundo e com as pessoas.

Leitores queridos, tenham certeza de que somos a história que contamos pra nós mesmos. Tenha certeza de que se a felicidade é sua meta, você pode sim ser feliz. Basta expandir sua auto-consciência, enxergar onde você se boicota, onde você se despreza, onde estão suas fraquezas, e trabalhar pra mudar isso, e pra mudar a imagem que você tem de você.

Escreva sobre você. Saiba contar uma história bonita sobre quem você é e o que você quer fazer. Trace planos pro futuro, e também a médio e curto prazos. Multiplique suas chances de se realizar.

Eu acredito em você.

Mesmo que chegue janeiro, não tem problema, você tem todas as oportunidades pra refazer o balanço do ano, enxergar um ano bom, e traçar suas estratégias pra ter um 2018 melhor ainda. Acredite em você, no poder do que você pensa sobre você e sobre as pessoas, veja o mundo ficar maior e mais bonito.

Feliz 2018.

PS: porque fui colocar o link do livro na Amazon, achei indicações pra outros dois livros que parecem interessantes, e estão baratinho no Kindle, deem uma olhada talvez interessem a vocês. E já falei disso em outros posts, mas falo de novo: não acho que um grande amor é o único jeito de se realizar. Mas acredito que todas as pessoas precisam de interação, que o relacionamento com o outro torna a vida mais rica e com mais significado. E se você não é o misantropo com o ticket dourado com direito a viver na torre, você precisa sair e conhecer gente. Não li, mas talvez esse livro The Tao seja interessante, o que li nas descrições combina com o que estamos falando, sobre sintonizar com coisas positivas. O autor diz que já teve centenas de encontros, e que sabe lhe contar o que os homens esperam. O outro livro também é bem falado, muita gente dizendo que o livro é cheio de descrições simples e práticas de como mudar padrão mental de pensamentos, portanto comportamento, portanto a sua vida.