Você é a mãe da Rosinha

Nenhuma lembrança de diálogos sem-noção fica completa sem a menção à minha mãe.

Que tem um pequeno comércio, lida com muita gente, e é claro que não guarda o nome de todo mundo, ainda que todos saibam o nome dela.

Uma cliente entrou, cumprimentou-a, minha mãe a chamou de “oi bem, tudo bem?”, e a mulher percebeu que ela não a tinha reconhecido. “Você não está me reconhecendo”.

Minha mãe a olhou bem, olhou, e falou “Você é a mãe da Rosinha?”

“Não, eu sou a Rosinha”.

Nunca vou esquecer da cara do Daniel quando contei essa história pra ele e pro Cris. Os lábios meio entreabertos, uma luz no rosto com a frase final.

Não sei como minha mãe se saiu dessa. Acho que não saiu.

— x —

Eles também gostam da história dos cocôs que saíram voando.

A casa dos meus pais tem quintal e cachorro. O cachorro é desses grandes, mas não é do tipo que aprendeu a fazer coco num canto específico, então eles têm que recolher os cocôs do quintal.

Numa das vezes minha mãe se aproximou, com vassoura e pá, e os cocôs saíram voando.

Ela tem enxergado mal mas se recusa a usar óculos. Eram duas rolinhas, não cocôs.

 

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