Uma cidade élfica x o fotógrafo de joelhos

Eta dificuldade da porra de reconectar com qualquer coisa.

De voltar a panfletar no Facebook.

De continuar a manutenção e atualização do virtude e do heart3.

De me sentir birdwatcher e parte de uma comunidade que está tão animada com a proximidade do Avistar – São Paulo.

De escrever o relato da viagem pra Espanha, e sei que é um erro, já fiz isso com outras viagens e depois me arrependi de ter demorado pra escrever e perder pedaços de informação. Os relatos de viagem são um pedaço do meu cérebro pra fora, pra confiar, pra eu poder acessar depois e lembrar nomes de lugares, hotéis, comidas, reforçar memórias.

De acreditar que alguma coisa que eu escrevo ou defendo sobre natureza e fotografia de natureza faz diferença.

Não é amargura, tristeza, depressão. Só esse sentimento de soltura, de falta de laços, um “isso não importa”.

Isso que dá ser niilista agnóstica misantropa introvertida filha da puta.

— x —

Ronda é uma cidade incrível. Contribuição do Cris pro roteiro, eu só pensava na parte de ver as aves, mas felizmente ele não.

Passear pela cidade que existe desde o século 9 a.C, onde a Ponte Nova é do século XVIII.

“Tire uma foto dos elfos vendo as luzes no final do dia, se preparando pra jantar” — algo realmente adorável na Europa são as construções que se mesclam com o relevo.

Era bonito ver os elfos, mas não consegui evitar um pensamento, algo que me assombrou durante dias. Era absurdo pensar que esse é o mesmo mundo em que um caminhão coloca comida pra atrair crianças, e então explode, matando 125 pessoas, sendo 68 crianças.  A imagem do fotógrafo correndo com uma criança nos braços, e depois ajoelhado no chão, após ter entregado a criança pro socorro, ajoelhado com jeito de quem está chorando, ao lado dele uma criança morta arremessada pela explosão. Não conseguia não pensar que é o mesmo mundo, um punhado de quilômetros de distância e ao mesmo tempo um abismo. O mesmo mundo. Mas não é o mesmo mundo.