Troca de figurinhas

Olha só, nunca vai ter que se desculpar achando que escreveu demais. Nunca pra mim. Gostei de tudo que me contou e achei engraçado você não estar habituado com a ideia de conversar assim com alguém que você nunca viu a não ser por uns textos, porque eu sou velha, vi o começo do uol no Brasil, ficava ansiosa pra aula da faculdade terminar logo e poder ir pro laboratório de computadores procurar meus conhecidos nos chats. Faz 20 anos que estou acostumada a conversar intensamente com pessoas que nem sei qual é a cara, e não preciso. Pra mim o jeito que alguém escreve revela o mais importante, e às vezes em que conheci ao vivo e achei que a imagem da pessoa não combinava, pensava “essa é uma pessoa com umas tranqueiras e entulhos pra tirar de cima, pra poder mostrar quem ela é de fato, quem eu sei que ela é”.

Seu email merece ser respondido com carinho, coisa que agora estou pifada demais pra conseguir. Mas, não queria ir dormir sem compartilhar três nomes, que não sei se você conhece ou não: Cees Nooteboom, Michael Ondaatje e Jonathan Franzen. Os dois primeiros são meus autores de literatura favoritos. E o Franzen não é um autor favorito, mas tem várias coisas boas. Franzen provavelmente é um misantropo, Ondaatje e Nooteboom têm vários personagens muito bons, não saberia dizer se exatamente misantropos, mas pessoas com entendimento sobre a vida. O tipo de gente com quem você jantaria ou poderia fazer viagens longas de carro.

Vou colar uns posts do meu outro blog, que falam do Franzen. Depois escrevo mais. Abraços do clube.

ps: não conheço o livro que você perguntou, vou olhar, e também acho que o Molière não vem ao caso.

 

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