Sua vida não vai pra frente enquanto você viver em conflito com seus pais

Há ene motivos pra você viver de bem com os seus pais, mas tem um, bem egoísta, e que eu acredito muito: sua vida não vai pra frente enquanto você não faz as pazes com os seus pais.

Calma, não falei que é preciso viver às mil maravilhas com eles. Ainda mais se vocês se veem com frequência, sei que pode ser terrível. E conviver com as pessoas não significa nunca brigar. Mas no caso dos pais, é fundamental você não ficar revivendo mágoas reais e imaginárias. Passou. Acabou. Você é adulto e não mora mais com eles, ou está em processo de independência. São seus pais, sempre serão, você deve os tubos pra eles. Mas mesmo que eles tenham te criado com uma imagem de pais-sabem-tudo, pais-são-perfeitos, quando você chega na adolescência é fácil ver que seus pais são crianças tão ou mais perdidas que você, mas com o grande problema de ter que posar de adultos.

O que significa dever os tubos pros pais? Depende de cada cultura e cada família. Em algumas significa sustentá-los depois que você se torna adulto. Viver bem perto deles, fazer companhia pra eles, pagar contas deles, pagar viagens e levar pra viajar, levar ao médico. E nem estou falado de outras épocas, ou de áreas rurais no Brasil e em outros países em que os filhos são uma mão-de-obra fundamental pro sustento da família.

Em outras famílias os pais acham que criaram os filhos para o mundo, para terem vida própria, e tentam se planejar para depender pouco dos filhos. Mesmo neste cenário você tem obrigação de manter laços com os seus pais. Falar por telefone com frequência (eu falo uma vez por semana… minha irmã fala quase todos os dias), contar coisas relevantes sobre você, não tem problema ser editado, mas por favor, nada de “está tudo bem com o trabalho e meu marido”, isso é de querer se matar. Conte de algum pequeno problema ou discussão, de preferência um que mostre que você teve uma atitude correta, honesta, corajosa, faça eles se sentirem tranquilos de que criaram um bom filho e que eles sabem quem você é e como você está.

Você também precisa encontrar seus pais algumas vezes por ano, principalmente em datas especiais como dia das mães, dos pais, aniversários, Natal. Se seus pais tiverem qualquer problema – financeiro, físico, social, você tem obrigação de ajudar ou no mínimo colocar-se, com sinceridade, à disposição para ajudar.

Você tem que visitar seus pais sem pressa, e com foco. É absurdo gente que visita os pais (ou qualquer outra pessoa) e fica prestando atenção no celular. Celular desligado, tom tranquilo, passe um tempo papeando com eles, contando coisas da sua vida, sabendo coisas da vida deles.

Se você está com algum problema, conte pros seus pais. Às vezes o problema é tão cabeludo que não dá pra contar inteiro, tudo bem… mas sua angústia será visível, então você vai ter que escolher contar um pedaço que faça sentido pra eles.

Por que acredito que a gente deve os tubos pros pais: por uma questão de moral e consciência. Nossos pais podem ter vários defeitos, mas fizeram muitos sacrifícios por nós, e bem ou mal, nos criaram. Essa dívida cria um karma, temos uma dívida no mínimo enquanto vivermos. Ser ingrato é uma das coisas que mais desumaniza.

No âmbito psicológico, outro bom motivo pra fazer as pazes com os pais é resolver várias melecas internas. Rancor e mágoa são aqueles monstrões que te induzem a agir como uma besta desgovernada. Rancor e mágoa de pais, então, é um veneno que corrói todas as suas bases, fode seus relacionamentos, sua confiança nos outros, sua auto-confiança.

Seus pais são suas raízes. Se as raízes estão fracas ou meio apodrecidas, não tem como você crescer.

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E, claro, já fiz as pazes com o meu pai, ou não estaria escrevendo sobre isso. Na quinta no fim do dia me veio a iluminação – provavelmente inspirada por um anjo, seja da minha parte, ou da parte do meu pai. Liguei e falei “desculpe pela nossa discussão, não queria ter brigado com você”. Ele também se desculpou. Não deixei a conversa ir pros lados dos méritos do argumento de cada um. Ele reafirmou os argumentos dele, eu só falei “vamos conversar melhor ao vivo depois. Os adultos. Pra que o … não precise viver num cabo de guerra entre as nossas opiniões, o pai falando uma coisa, o avô falando outra. Vamos combinar. Tudo que importa é o … não sofrer com nossas diferenças”.

E plim.