“Somente pessoas superficiais não se preocupam com as aparências”

No post anterior falei que não dou grande valor pra minha aparência ou pra minha imagem. É claro que isso não significa que não dou valor algum, mesmo que isso possa ser difícil de acreditar, quando estou lá, com roupas no estilo gringo de mais de 70 anos, suada, descabelada, empoeirada, cheia de picadas de bichos diversos, e até umas bolinhas no rosto em volta do olho esquerdo, no lugar onde a câmera encosta.

Eu valorizo e me preocupo com minha aparência e imagem. Só não deixo baixar a louca de achar que isso importa mais do que importa de fato. Digamos o seguinte: você não vai querer nada com um parvo que considera aparência de modelo o primeiro critério pra escolher uma pessoa. Mais do que isso: queremos nos relacionar com pessoas especiais, com alguém capaz de olhar pra você e ver quem você é, de fato, de verdade, na sua essência, sua alma, naquilo que realmente importa. Mesmo que todo esse tesouro esteja soterrado embaixo de alguns quilos ou toneladas de neuroses e traumas.

Aparência conta sim, e a gente devia fazer o que está a nosso alcance pra ter uma aparência boa. O que eu sou contra é achar que aparência vem em primeiro lugar. E não vem. Tantas histórias de gente que fez plástica, cirurgia de redução de estômago, mil tratamentos estéticos e continua infeliz. Porque se por dentro estiver uma zona, de que adianta?

A outra loucura dos dias de hoje é confundir beleza com padrão de beleza imposto pela mídia. Há tanta beleza no mundo, nas pessoas. Somos capazes de enxergar isso? Ou estamos sempre buscando uma figura de anúncio, tanto nos outros como em nós mesmos?

Aparência importa, beleza importa, cuidar da saúde e da beleza do corpo importa. Só não sejamos burros de esquecer que a casca é só a casca. Se queremos relacionamentos de verdade, se queremos ser degustados e sorvidos, de nada importa uma casca apetitosa mas um sabor podre ou insosso.