Sofri uma intervenção federal

Vou compartilhar o krau pra te deixar mais feliz, caso você seja do tipo que de vez em quando se pergunta como eu posso ser tão topetuda.

Numa daquelas conversas de casal em que o outro diz que não te obrigou a nada, mas você sabe que não é bem assim, é daquelas situações em que simplesmente só tem uma resposta: ou é sim, ou você é um monstro sem coração. Foi num jogo de cena desses em que me vi obrigada a dizer “se é o que você quer, eu vou fazer terapia”.

Não sou contra terapia, muito pelo contrário. Eu sei como terapia ajuda as pessoas. Fiz durante uns meses, muitos anos atrás, mas daí desisti, apesar do Cris ter ficado inconformado. Outro daqueles momentos de topete grande “eu gosto de mim (a maior parte do tempo), não me sinto rompida com meus pais, não tenho medo de sexo, acho que nasci pra ser feliz, pra que eu preciso de terapia?”.

Mas aqui estamos, muitos anos depois. Não que eu seja maravilhosa, sei que teve muitos momentos em que o Cris gostaria de torcer meu pescoço, ainda mais por pensar que muitas discussões que tivemos poderiam ter sido evitadas se eu tivesse continuado com a terapia. Mas eu não tinha vontade, e até então, nada muito grave. Ele aceita minha mania de achar que estou sempre certa, que é compensada pela cara que eu faço quando descubro que estou errada, aceita minha misantropia, felizmente não acha que eu preciso de cura gay ou cura misantropa.

Só que nós temos essa questão… uma das grandes questões pra um casal, algo que já separou muita gente. Começa com F, mas não é Facebook. É filhos. Ele queria ter mais um filho. Eu não quero ter nenhum. Ele diz que queria muito ter, mas que teria que ser comigo, que não existe o risco de querer se separar para ter filho com outra. Que aceita que eu não queira ter. Mas aceitar racionalmente não significa que o coração entendeu, o que me rende momentos como esse:

“Quando o Homem de Ferro falou que fez vasectomia, eu fiquei pensando se devia fazer também”

“Por quê???”

“Porque daí acabava com isso. Não ia mais ficar pensando que podia ser diferente… mas daí pensei que não devia fazer, porque vai que você morre” – mais tarde disse que na verdade pensou que eu podia mudar de ideia, mas de qualquer forma me fez rir muito. O filme em questão é o Chef, que tem o Robert Downey Jr numa ponta, fazendo papel de playboy como sempre. Mas a ideia de que o Homem de Ferro te faz pensar em vasectomia é engraçada demais.

E fico aqui blogando. E como um bater de asas de borboleta, algumas das coisas que andei escrevendo fizeram nevar em Moscou. Cris acordou, leu vários posts, ficou pensativo, não quis conversar, explicou sobre o que estava pensando mas que não queria argumentar porque se fosse argumentar eu ia ganhar como sempre, que era só algo emocional. Sobre a tristeza de não termos filho. Sobre como ele queria estar ocupando o tempo dele. Sobre eu ter questões do meu passado que podem ter bloqueado a vontade de ter filhos.

E foi assim que eu me fodi, de novo.

 

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