Sobre homens burros e homens inteligentes

Ainda tem muito pra se falar de Nova York, mas queria abrir um parêntese pra falar de homens burros x homens inteligentes.

É compreensível que uma pessoa tosca seja tosca em vários aspectos. O que não me faz sentido é por que há tantos homens tão inteligentes em várias facetas: menos quando chega nas questões feministas.

Vocês sabem, estou sempre reclamando disso. Hoje eu e uma amiga querida estávamos falando de um conhecido que é muito articulado, bacana, compreensivo, inteligente pra vários assuntos. Menos os que se referem às injustiças e sofrimentos das mulheres. Nesse ponto ele buga.

É como o meu semideus das frivolidades internéticas. Tão inteligente em vários aspectos, mas não sobre mulheres. E, no caso dele, tem uma desuminanidade geral. Tentei falar disso com ele, mas ele não quis saber. Não sei se ele já percebeu que eu parei de conversar com ele porque, como disse o Cris, o … é alguém que gosta muito da própria voz. Não lembro de nenhuma vez que ele tenha me perguntando o que penso sobre algum assunto, então eu parar de conversar com ele pode ter passado despercebido.

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Quem acompanha o blog faz tempo sabe que eu já xinguei muito o Cris. E este é o momento do contrário, de louvar. O Cris é muito inteligente (tão inteligente que me apaixonei pra vida toda), e uma das facetas da inteligência é ser capaz de entender o que é importante pro outro. Assim, mesmo dando umas bolas fora — e eu sempre explico pra ele por que ele está errado — no geral ele tem conseguido assumir o feminismo.

No dia das mulheres deste ano me contou como achou ruim o cartão da empresa, com a moça loira no campo de flores, e falou que ia conversar com o diretor da área sobre o quanto aquela imagem era nada a ver; deu nota baixa pro motorista de Uber que xingou mulher no volante.

Umas semanas atrás contei pra ele da entrevista em que Andy Murray não deixou passar o machismo casual, o entrevistador que falou do tênis como se Serena Williams não existisse. Daí neste fim de semana estávamos vendo um vídeo de como fazer shoulder, e o cara do vídeo falou “ou, pras mulheres, que gostam de bem passado”, e o Cris ficou revoltado, falou “como assim, que tipo de comentário é esse? Que filho da puta. É o tal de machismo casual, é isso?”. Sim, esse é o termo. E amei-o ainda mais.

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Quer conquistar uma mulher inteligente? Nunca perca uma oportunidade de ser feminista. Estamos tão acostumadas a ouvir e ler as maiores atrocidades, que topar com um homem que não é tosco, que entende o feminismo, é como bálsamo pra alma.