Sem querer assisti a um Cronenberg – Cosmopolis

[escrito em 2012]

Caminhava pela Paulista, à noite já. Fui olhar o que tinha no Center 3. Cosmópolis começava dali a 5 minutos.

Não planejei assistir a Cosmópolis, não acompanho notícias, nem sabia que era filme novo do Cronenberg, e não sei o que a crítica fala. E confesso que escolhi o filme mais pelo nome do Pattinson do que do Cronenberg. Mas eu sei quem é o Cronenberg e o que esperar dele, diferente de pelo menos umas 3 pessoas na fileira de trás, que caíram do caminhão de pepino, e saíram bufando no meio do filme.

Um outro, também na fileira de trás, foi melhor comportado, e esperou o filme acabar para falar “afe!”.

E eu. No respeitoso silêncio de sempre. Sim, estava sozinha, mas quando estou acompanhada, nunca saio da sala falando o que achei, o que entendi, o que gostei ou não. Quando se está sozinha não é diferente. É idiota sair de um filme tendo que ter uma opinião, ainda mais um filme que não é de ação-aventura, nem comédia romântica.

É um filme do Cronenberg. Deixe as ideias e imagens crescerem dentro de você.

E com esse silêncio de pensamentos desci as escadas, fui ao banheiro, voltei para a praça de alimentação, achei um lugar pra jantar, voltei pra casa.

Se você é o tipo de gente que precisa de cadência e sentido, não te serve. Se você precisa de história, há uma história clara e simples, pra quem quiser ver assim tem até lição de moral. E se você não precisa de nada disso, melhor ainda: vá ver o filme para aproveitar os diálogos, as situações surreais, pessoas desumanas mas que ao mesmo tempo você acredita que elas possam ser assim. Quando você não sabe mais o que significa gastar um dólar ou um milhão, e busca situações pra sentir dor ou até morrer, apenas pra ser capaz de sentir alguma coisa. Não importa se o personagem do Pattinson é alguém crível. Eu acho que é. A ideia de alguém que não tem sentido nenhum pra vida. Pra mim é a representação de um sistema. Amoral não de uma forma libertadora, mas de quem não sabe o que é importante.