Sainte Marie – gastronomie

Comida árabe em ambiente caseiro, mas personalidade nos temperos e apresentação bem caprichada. Ambiente simples, lotadíssimo, atendimento meio atrapalhado, mas a simpatia do chef Stephan Kawijian e o sabor da comida – a começar pelas esfihas assadas na hora, compensam todos os pontos negativos.

Sainte Marie – Gastronomia

Rua Dom João Batista da Costa, 70 – Jardim Taboão – São Paulo – SP.  Telefone: (11) 3501 7552

[informações de jul/14]. Abertos durante a semana das 10h às 20h. Fechados aos domingos. Funcionam no sábado como rotisseria das 9h às 18h, 19h (ligue), e o almoço é servido entre 11h30 a umas 16h – horário variável também, acho que depende da quantidade de pessoas que estão esperando. Garçonete diz que para almoçar no sábado o ideal é chegar umas 11h30, porque a partir do meio-dia é aquela loucura que vimos de 1h de espera.

O Cris havia lido em algum lugar um tempo atrás, um candidato a melhor esfiha de São Paulo, mas na pqp – Jardim Taboão. Hoje nos sentimos aventureiros e fomos. Meia hora por um caminho um tanto maluco do Waze, e chegamos. Um monte de gente esperando em pé em frente a um local bem simples, aquela cara de bairro – o que considero ponto positivo. Entramos e logo tinha um rapaz no balcão para nos informar que havia uma fila de uma hora. Falamos que então íamos pedir pra viagem, quando passa por nós um prato de cuscuz com frutos do mar: camarão gigante, um tentáculo bem grande de polvo, mexilhões, tudo tão bonito que eu – que odeio espera, falei “moço, mudamos de ideia, por favor, anote nosso nome”.

E esperamos. Nossas esfihas levaram meia hora pra chegar, e ainda veio uma a menos. São assadas na hora, mas vi um grupo que chegou depois receber bem antes. Acho que era atrapalhamento, mesmo a gente tendo ido perguntar das nossas esfihas duas vezes. Durante a espera tomamos uma Original bem gelada – uma parte do tempo sentados numa muretinha, espremidos ao lado de um carro, no resto do tempo dentro do restaurante, perto da estante com as nozes e pistaches à venda, também espremidos e atrapalhando um pouco a passagem.

45 minutos depois estávamos sentados, e nem um pouco bravos. Afinal, nos falaram desde o começo da espera, apesar da demora as esfihas eram ótimas, e o Stephan tem efeito halo e ganhou minha simpatia imediata. Logo que chegamos, enquanto pedíamos as esfihas ele passou pelo balcão dando esparramo na equipe “tem gente demais aqui [fazendo nada], vão, vão, pra dentro, circulando”. Depois num outro momento passou por mim, sorriu, me deu um aperto de mão. E quando finalmente sentamos à mesa, ele veio pegar o pedido. Abaixado ao lado da mesinha de plástico, se desculpou pela demora, anotou nossos pedidos, e trouxe pessoalmente nossa cerveja, bem rápido.

Na espera comemos esfiha fechada de carne, aberta de queijo, e uma de merguez – mussarela com linguiça de carneiro feita lá mesmo, todas as quartas. Muito boas, ótimo tempero, tudo saboroso, massa deliciosa, realmente bem fofinha – como eles propagandeiam no cardápio, escrito em fofonês.

Logo que sentamos trouxeram o couvert (gratuito) – uma excelente coalhada seca, regada com bastante azeite bom, e um pão sírio. Há muitas opções de pratos. É daqueles restaurantes para ir num grupo de umas 6 pessoas pra poder experimentar muita coisa, mas não era nosso caso, então tivemos que escolher. O cuscuz de frutos do mar que me fez decidir esperar uma mesa parecia tentador, mas decidimos experimentar os pratos de carne. Outro prato que me chamou a atenção foi o kibe montado lindo, mas na versão completa seria grande demais. No Trip Advisor tem foto desse prato. Pegamos a versão simples, com menos camadas, essa do post. Linda apresentação, bem saboroso – mas acho que eu faria um balanço diferente entre o kibe cru e o recheio cozido.

Pedimos o Mtabaleh, uma salada de berinjela defumada. Sabor acentuado do limão – mas não sentimos a tal essência de romã descrita no prato. Gostamos. Pena que não conseguimos comer com pão ou pimenta (garçonete esqueceu. Pedimos para uma outra, o pão chegou quando já tínhamos terminado a berinjela).

Pedimos mais uma fechada de carne, uma de queijo de cabra, e uma de ovas de tainha. Dessa vez a fechada de carne estava com a massa um pouco mais assada do que a primeira, dava um sabor de torta caseira. A de queijo de cabra também estava ótima, massa muito fofa e macia, queijo delicioso. A de ovas de tainha também era muito boa, mas achei que não combinava muito entre si… comi primeiro as ovas prensadas, depois a esfiha, que tinha uma leve camada de mussarela. As esfihas foram trazidas uma por uma, conforme iam ficando prontas.

Porque somos gulosos também tínhamos pedido um kafta, mas quando chegou eu não conseguia comer mais nada. O Cris até experimentou uma pontinha, mas embrulhamos pra viagem.

Ou seja, também não passamos pelas faladas sobremesas: o tal mousse de cacau ou a torta de amêndoas – com lindas fotos no Trip Advisor.

Como na Garabed (que já foi espetacular, mas achamos que decaiu) há muitas coisas que você pode levar pra casa, mas provavelmente perdem bastante da graça. Esfihas, por exemplo, o certo é comer lá, recém-saídas do forno. Não acho que eles precisam mudar o ambiente – gosto desses lugares com clima de boteco de bairro, só seria ótimo se tivessem mais mesas e mais garçons – treinados, eficientes, e que não esquecem o prometido. Pagar a conta também foi difícil – quase 20 minutos entre pensar que queríamos fechar a conta, pedir pra fechar, não acontecer nada, ir pro caixa, fila – ainda mais porque tem correções, nosso pedido por exemplo estava com a esfiha que pedimos mas não veio, e com a versão grande do kibe montado, mas a nossa era a pequena, e a moça do caixa ainda tentou dizer pro Cris que não tinha diferença no valor, foi preciso chegar outro garçom e falar que ela estava errada.

Em questão de nível de serviço sou chata como a maioria dos paulistanos. Mas nesse caso, o efeito halo da simpatia do Stephan e do sabor da comida, apresentada com tanto capricho em louças bem simpáticas, mais o estilão simples do local e o fato de não ser caro, compensou a espera e o serviço atrapalhado. Fora que a tarde estava linda, nossa mesinha era na calçada, então nem foi tão doído esperar tanto.

Em matéria de esfihas assadas na hora, o Saj da Vila Madalena já foi incrível, mas eles mudaram. Agora as esfihas chegam mais rápido e já não são espetaculares. O Manish na Vila Olímpia também decepcionou – esfihas requentadas. A Casa Garabed em Santana também já foi deliciosa, mas da última vez que fomos, um mês atrás, não gostamos. Achamos que a massa não era mais a mesma, e que havia recheio demais nas esfihas – vocês sabem, apreciadores de verdade de massas nunca acham que quanto mais recheio ou cobertura melhor, você quer sentir o sabor da massa. E parecia que a Garabed tinha se rendido a uma ideia de que o certo é esfiha bem recheada, e que não demore para vir, uma pena.

Comemos 6 esfihas artesanais e muito meritórias, 1 prato de berinjela defumada, 1 kibe montado, 2 cervejas grandes (uma Original e uma Amstel), 1 kafta que sobrou. Nossa conta ficou em R$ 160. O preço das esfihas varia entre R$ 5,50 e 11.

Tomara que o Sainte Marie continue na linha de local simples, esfihas demoradas mas assadas na hora, atenção especial do chef. E se conseguirem ter um pouco mais de espaço e garçons melhores, seria um lugar excelente.

http://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g303631-d4431320-Reviews-Sainte_Marie_Gastronomia-Sao_Paulo_State_of_Sao_Paulo.html