Sabe o que acontece quando você pede desculpas?

Você pede desculpas porque reconhece que errou.

Não importa o que o outro fez, o quanto ele te provocou ou errou com você. Se você errou, você tem que dizer que errou. Sem condicionantes. Você pode até explicar por que você fez o que fez, mas nunca pode falar “se você não tivesse feito isso, eu não teria feito aquilo”.

O pedido de desculpas pro meu colega está no limite. É polido, fala claramente “eu errei e peço que me perdoe”, não fala que ele errou. Mas fala que ele faz coisas que eu não gostava, e sei que outros também não gostavam. E que mesmo assim não justificam meu erro.

Sabem o que acontece depois que você pede desculpas públicas, abertas, sem condicionantes, sem dizer que o outro também teve culpa?

Depende da pessoa.

Meu colega poderia ter escolhido falar algo gentil, pedir desculpas por ter me xingado por algo que eu não fiz (não fui eu que tirei ele do grupo), por ter falado algo que me chateou tanto, que foi dizer que eu era desonesta, que ele viu como isso é um valor importante pra mim e entende a situação.

Poderia.

Mas em vez disso ele mandou um quadrinho escrito “aff, dá dor de cabeça só de ver o tamanho do texto”, e também falou “prometo só mandar 3 quadrinhos por dias se você prometer escrever menos”. E foi isso.

Mas não me arrependo de ter enviado as desculpas, porque não importa a reação do outro, só o que importa é como a gente se sente por dentro. Foi uma cagada não ter feito algo simples como contar e ver que ele estava mandando cada vez menos. Ok, foi uma cagada se deixar levar pelas vozes de “fulano está chato”, “ainda bem que você fez tal coisa”. Mas todo mundo está sujeito a erros e cagadas, é a vida. O que não dá pra suportar é o peso de errar em algo importante e não admitir isso, não expurgar isso, ter que carregar isso como uma mácula na consciência.

O pedido de desculpas público, pleno, sem condicionantes, sem dizer que o outro também errou, purga isso. Recomendo.

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Ah, mas só pra deixar claro: considero meu pedido de desculpas adequado, meio no limite, pra nível colega. Se for com gente querida, especialmente cônjuge, tem que fazer muito melhor do que isso, tem que ser muito mais generoso, emocional, e não economizar nos adjetivos negativos pra você. Se meu colega estivesse na lista VIP, no mínimo eu teria que ter escrito coisas como “sei que fui uma anta, muito burra por não ter feito algo simples como contar, e você tem toda razão em ter me xingado”.