Relacionamentos intensos e duradouros – parte 2 – como diferenciar assunto importante de capricho

Não vou falar que é fácil, porque a convivência e a intimidade muitas vezes nos deixam míopes, intolerantes, folgados.

Mas há algumas formas de pensar que ajudam muito.

Primeiro enfie na cabeça a ideia de que vocês têm origens diferentes. Famílias diferentes, experiências diferentes, às vezes faixa econômica e social diferentes, podem ser etnias diferentes. Ou então pense nos seus irmãos: mesmo tendo mesma família e mesma tantas coisas, como vocês podem pensar diferente em tantos assuntos.

A pessoa com quem você está tentando compartilhar sua vida tem muitas experiências, jeitos de fazer as coisas, rotinas, manias, vícios, tudo pode ser bem diferente dos seus. Você tem que entender que nesse caso não existe certo ou errado: vocês simplesmente vão chegar a um acordo sobre como serão as coisas. Se vão ser do seu jeito, do jeito dele ou, o melhor cenário: quando é uma combinação dos dois, quando cada um consegue ceder um pouco e reconhecer a validade das vivências do outro.

Exemplo simples: há várias exceções, mas é comum a mulher ser mais preocupada em manter a casa limpa e em ordem, enquanto o homem não. Ainda mais se o homem nunca morou sozinho, há diversos processos que talvez ele nem saiba como acontecem. Que pra ter cuecas limpas na gaveta alguém pegou a cueca do chão, levou pro cesto, depois lavou, depois pendurou, depois passou, depois guardou. Se o homem morou sozinho antes, e supondo que ele não tinha empregada que cuidava de tudo, será uma pessoa com mais noção sobre o funcionamento de uma casa.

É comum haver o embate entre os hábitos da mulher e do homem. Se uma pessoa dá mais valor do que a outra pra limpeza e organização, que tal chegar a um meio termo? Quem é mais bagunçado combina quais são as coisas básicas que precisa manter em ordem, quem é fissurado em organização aceita que a casa não estará impecável o tempo todo, porque pra pessoa com quem agora você compartilha sua vida, isso não é importante.

Você deve agir como adulto sempre. Identificar o que é acidental do que é crônico. Mesmo entre as coisas crônicas é preciso ser compreensivo. Dificilmente uma pessoa vai deixar de ser atrapalhada só por levar broncas. Ou deixar de ser esquecida. Ou ficar mais inteligente. Você tem que aceitar que o outro é assim, e se há coisas incomodando muito, você devia ajudar o outro. Se o outro é atrapalhado ou esquecido, ajude a cobrir isso. Tente ficar atento a objetos em beiradas, em coisas frágeis, pergunte sobre coisas importantes, incentive o outro a criar check lists. Aja com generosidade de quem ama e sabe que todo mundo está sujeito a erros. O Cris em geral é o esquecido e atrapalhado. Mas fui eu que já fiz coisas como esquecer o plate do meu tripé e lembrar disso quando já estávamos há 1h30 na estrada, e tivemos que voltar pra casa, e assim encompridar uma viagem que já era longa. Teve uma vez que o Cris guardou uma loção dele aberta na nécessaire: abri a mala, roupas manchadas. Era uma embalagem novinha de algo caro. Fiquei triste de ver o estrago, mas não briguei com ele, falei “tudo bem, acontece, podia ter acontecido com qualquer um”. Os diversos raladinhos em volta do nosso carro são todos do Cris, ele fica muito mais com o carro, ele faz balizas, eu não. Mas o grande prejuízo, quem já conseguiu dar um totó no segundo portão da garagem do prédio, ganhar uma conta de R$ 600 (isso há uns 5 anos atrás), e atrapalhar a vida de todo mundo do meu prédio durante uma semana, fui eu. Um motivo a mais pra eu nunca reclamar se o carro chega com um novo raladinho.

Acho que uma das atitudes mais importantes pra você não ser um nazista na cobrança do que o outro devia estar fazendo, não agir como um pequeno tirano, é nunca esquecer das cagadas que você já fez, das vezes em que o outro foi tão generoso e compreensivo com seus erros e burradas. Todo mundo faz coisas idiotas. Acho que se sempre tivermos em mente que o outro tem vivências diferentes, que é errado pensar que só o nosso jeito de fazer as coisas é o certo, e sempre lembrar das coisas erradas que já fizemos, isso acaba com a implicância, caprichos e crueldades.

Só tem um ponto que pra mim não há desconto: ser rude com quem não merece. Pra mim nada justifica tratar mal os outros. Faz parte do seu desenvolvimento como ser humano aprender a não agir de forma rude, injusta, não importa que você esteja cansado, com fome, estressado, com medo, com raiva. Não descarregue em quem não merece, isso é algo desonrado. Converse com o outro. Se precisar de silêncio, explique “preciso ficar quieto agora, desculpe, vai passar, depois eu te falo”. Mas nunca trate o outro mal, porque ele não merece. Brigue com o motivo do seu dissabor, não com a pessoa que só quer te ajudar.

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