Relacionamentos intensos e duradouros – parte 1 – conversas francas

Estou aqui. Falando o tempo todo que viver um grande amor não é o único caminho possível, e que não há nada de errado em viver solteira, seja aventureira ou tranquila. Mas o fato é que eu vivo um grande amor, e eu e o Cris às vezes nos perguntamos se os outros casais fazem o que a gente faz pra viver bem… E como são coisas que parecem simples (simples, mas não fáceis), queria compartilhar, porque talvez ajude outras pessoas, seja pra quem quer viver um grande amor, ou seja pra alguma relação passageira.

Eu e o Cris já brigamos muito. Muito. Muito. Há vários motivos pra isso, mas o que é preciso dizer é que foram inúmeras discussões, a maioria delas causada por mim. Vocês sabem: o mais comum é que homens não briguem. Homem fica em silêncio. Ou é sarcástico e deixa pra lá. Ou dá uma patada e esquece. Ou vai beber com os amigos e esquece. Ou vai se distanciando física ou emocionalmente da namorada ou esposa, e vai esquecendo. Mas DR não costuma ser iniciativa masculina. Homens em geral detestam confronto, perrengue, situações pra resolver. Enquanto puderem empurrar com a barriga, esquecer, relevar, eles vão levando.

Eu não deixava. E quando passaram a acontecer situações em que eu estava tão cansada das discussões que não queria mais discutir, que quando acontecia alguma coisa eu só ficava puta da vida mas não falava mais nada, era o Cris que não deixava. Daí eu ficava duplamente brava: pela coisa ruim que ele tinha feito a meu ver, e por ainda ficar me atazanando só porque não suportava meu olhar furioso. E daí, de tanto ele insistir, pedir pra eu falar, ou então ficar falando injustiças, eu acabava falando. Na verdade, em geral vociferando fogo.

“Meu Deus”, “coitado do Cris”, eu sei, eu sei. Sei o que os homens pensam. Mas as mulheres sabem que, a não ser que você esteja surtada ou seja uma vaca, todas as broncas que um homem leva são merecidas. E eu nunca surtei nem fui uma vaca.

Como sobrevivemos? Como foi possível atravessar essa fase tão conturbada, e chegar no nível de casal que acha que é pra vida toda, conversam sobre tudo, contam pro outro das conversas com o analista, confiam totalmente no outro, cozinham juntos, viajam juntos? Quando parece que não tem como sermos mais próximos, acontece alguma coisa e nos sentimos mais conectados ainda, mais cúmplices, mais enamorados. Como?

Fomos purificados pelo fogo. Você sabe: o que não mata fortalece. Começar a compartilhar uma vida é muito difícil, há tantas diferenças de expectativas, de formas de viver. E quando você espera muita coisa daquele relacionamento é pior ainda, todos os pontos de atrito são intensificados. Mas nós escolhemos o caminho de sempre querer nos sentir muito intensos e verdadeiros um com o outro. Eu sou uma flor de frescura: capto qualquer alteração no tom de voz, no jeito de olhar, numa fração de segundos a mais pra responder, na sensação de que a pessoa está com a cabeça em outro lugar. Sou apaixonada pelo Cris, e no início de uma relação a paixão costuma ser um fogo quase devastador. Sempre exigi muito, e ficava brava e triste quando não me sentia próxima, conectada. E ele não suportava a mudança no meu olhar. Era assim que a gente tinha que conversar sobre tudo que incomodava.

Foi terrível, é claro. Teve dias de eu pensar muito seriamente que devia voltar pra minha república. O Cris… não sei, talvez ele só quisesse me matar 🙂

Mas passou.

E hoje sou grata por essa fase de ferro e fogo, porque sei que foi graças a essa decisão de ter que conversar sobre tudo, de não engolir sapo, de ter que sempre se sentir próximos e conectados, é que somos um casal tão unido e até babões um com o outro.

A primeira dica é: não se envenene. Não estou dizendo que tudo tem que ser do jeito que você quer, de jeito nenhum. Mas tudo tem que estar combinado, acordado, resolvido, processado. Se não estiver, volte a conversar sobre aquele assunto, até vocês chegarem numa decisão no mínimo razoável pros dois. Mas não pode só engolir e deixar pra lá, porque cada sapo engolido é veneno lento nas veias… se forem muitos sapos, uma hora você explode. E daí acabou.

Parta da ideia de que você tem que viver feliz e satisfeita com a pessoa que você quer compartilhar sua vida. E que se tiver algo incomodando, vocês precisam conversar sobre o assunto. Mas que é preciso escolher os temas: separar o que é importante daquilo que é mais pra capricho seu, ou o jeito como você queria que fossem as coisas, e também reconhecer as coisas que são muito importantes para o outro. Entender que o outro também vê coisas que ele queria que fossem diferentes, que se relacionar é conseguir aceitar diferenças – mas saber conversar sobre o que realmente conta.

Nos próximos posts: reflexões para diferenciar o que é importante e o que é capricho; como ter conversas difíceis sem se matar – viagem no tempo, dizer o que o outro devia ter falado, a purgação pelo ridículo; conversas pra resolver em vez de críticas constantes, etc.

http://claudiakomesu.club/relacionamentos-intensos-e-duradouros-parte-2-como-diferenciar-assunto-importante-de-capricho/

http://claudiakomesu.club/relacionamentos-intensos-e-duradouros-parte-3-como-identificar-o-que-e-um-assunto-que-precisa-ser-conversado-e-um-dos-problemas-mais-comuns-entre-casais-homens-que-nao-demostram/