Quem não entende a importância do cabelo certo?

Até simpatizo com o Keanu Reeves, mas achei o fim da picada terem colocado ele como John Constantine, do jeito que ele é, com aquela cara de Neo. Claro que ele loiro teria sido o mapa do inferno virado do avesso, mas não importa, simplesmente era muito errado acharem que ser loiro ou moreno não passava de um detalhe.

Ou quando fizeram Elektra, que eu nem fui ver. Com certeza não era bom, mas além disso, sacrilégio demais ela não ter cabelo preto.

Alasca, do John Green, que demorei pra ler porque meu primeiro contato foi folhear O Teorema Katherine, ao som de duas mocinhas de voz aguda falando atrás de mim o quanto o John Green era incrível. Mas na Bienal folheei o Quem é você, Alasca? e comprei. Havia três capas pra escolher, peguei a com cara de HQ. Já li quase tudo, naquela ordem desrespeitosa, gostei a ponto de jogar no Google e encontrar um cartaz que me preocupou, este, mas não é oficial, é feito por fã, e daí eu me pergunto se o cidadão que fez o cartaz se deu o trabalho de ler o livro. E, caso tenha lido o livro, se tem qualquer capacidade de interpretação de texto. Essa Alasca do cartaz fake é totalmente errada. Ela jamais teria essa cara de patricinha, com cabelo arrumadinho, máscara pra cílios, batom escuro.

alasca-errada

Achei uma capa de livro, factível, que é esta. Já deu pra ver a diferença.

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E também considero bem aceitável ela ter cabelo preto repicado e ser meio descabelada, como nos desenhos de HQ da edição que comprei.

alasca-certa

Devia ser proibido fazer adaptação de HQ pra cinema achando que cor de cabelo é irrelevante. Fazer um loiro virar moreno, ou uma grega de cabelos negros ter cabelo castanho é muito desrespeito pelos fãs, um grande “fodam-se os fãs”.

E em homenagem às mulheres de cabelo preto, Black Hair, do Nick Cave. The Boatman’s Call é um dos meus álbuns favoritos. Letras e melodias dignas, solenes, profundas, nostálgicas. O álbum todo é bom. Mas só ouça a música, não procure os clips.