Quem acredita em fotogenia?

Não sou fotógrafa de gente. Mas tenho algumas fotos boas, de mim e dos outros, porque às vezes olho pro mundo e penso “agora”.

Geralmente tem a ver com a luz. Tirei uma foto maravilhosa do Daniel com a priminha no colo, os dois sob um sol morno de fim de tarde, o olhar meigo do Dani, a alegria de bebê da Carol. Está de papel de parede no celular do meu sogro, em porta-retratos.

E, como lhe dizia, tem a Princesa Ateh. Que não era bonita, mas compunha o rosto todos os dias.

Acho que há pessoas que são lindas inevitavelmente, não importa o que elas façam. Para todos os outros, só nos resta nos esculpir com o olhar, especialmente o próprio olhar. O que penso, o que sinto aparece muito na minha cara. O Cris diz que quando estou brava fico muito feia. Infelizmente não é só lorota pra eu não ficar brava, sei que é verdade.

Não sou fotógrafa de gente, mas sei muito bem que fotografia, ainda mais fotografia de pessoas, ainda mais de mulheres, é uma grande ilusão da realidade. Podemos criar a fantasia que quisermos, e brincar com isso.

Roland Barthes pastava pra achar as fotos em que as pessoas queridas estavam presentes nas fotos, mas nós, com câmeras a dar com pau em tudo quanto é lugar, temos o dever moral de nos retratar de uma forma que a gente esteja presente na foto. Temos obrigação de ter imagens que sejam nós, ou o que almejamos.