Que eu nunca perca de vista as sombras, o senso de perspectiva e a consciência diária sobre a inexorabilidade da morte

Primeiro post de 2015. Não é pra chocar a burguesia, mas o fato é que foi assim que meu ano novo começou. Hospital de madrugada. Telefonemas. Ambulância pra São Paulo. Espera. Finalmente notícias boas, e parece que com danos pequenos, mas é assim, somos uma máquina maravilhosa de sangue e ossos, mas com pecinhas frágeis como fiapos, que podem entupir e se romper com a facilidade de um sopro.

O fato da morte ser inevitável deve fazer parte das meditações diárias do samurai. Ou de qualquer pessoa que queira realmente viver, e não apenas flutuar zonzamente sem nunca se conectar com nada.

A morte e as sombras costumam ser associadas com coisas negativas, mas não são em si… As sombras nos ajudam a manter a perspectiva, e a morte… ah, a morte é a companheira inseparável da vida. Muita gente já escreveu sobre isso, e concordo que a vida teria um sabor muito mais insosso se não houvesse a morte.

Não anseio, não fantasio, não deliro. Não fico imaginando meu enterro ou reações ou discursos ou formas de morrer (exceto ontem no PVZ em que a gente topou com um cara muito bom, que aparentemente se divertia em provar que podia nos matar com qualquer personagem). Mas a morte é um fato. Não para nos amedrontar, e no meu caso não pra me fazer ter pressa. A morte é uma doçura amarga que de vez em quando aflora no fundo da garganta e me faz olhar pros meus queridos com mais amor ainda, a tocar a pele deles com mais delicadeza, a me sentir ainda mais feliz por ter esses momentos na companhia de pessoas tão densamente por todos os poros em cada detalhe cabelo pele morna olhares frases poses ridículas silêncio sonzinhos afrontas análises genialidade amor que se derrama como visgo.

O que faz você se sentir vivo? Como você quer ocupar seu tempo? Hoje em dia me importa pouco onde e como, só o com quem.