Quando precisar de solidariedade, conte que a ROTA bateu no seu carro

Início da tarde em Higienópolis. Um monte de carros de polícia em frente ao Itaú da Av. Angélica. Parece que algum pane no sistema do banco obrigou todos a saírem, e quem viu de fora ligou pra polícia achando que era assalto, mas até aí não sabiam disso, ainda era o momento de juntar vários carros de polícia.

A Hilux da ROTA, em frente ao Cris, parou. A fileira ao lado continuava andando. Cris tentou mudar de fileira e foi albalroado pela ROTA, que deu ré em cima dele.

A ROTA, e imagino que provavelmente todos os outros carros de polícia, ambulância, bombeiros – não tem seguro. Bateram em você, se fudeu. Ou então, processe o Estado – que parece uma alternativa pior do que se foder, então provavelmente só vamos engolir o desgosto e pagar os R$ 2.400 da franquia do nosso seguro.

Eu não estava com o Cris, só soube à noite. Fiquei indignada quando descobri que é possível juntar 6 carros de polícia, um monte de policiais armados, situação tensa com expectativa de assalto, capitão da ROTA contando que os policiais comuns estavam com medo de entrar, que ficaram esperando a ROTA chegar – e a vida prossegue normalmente ao redor. Passa carro, passa pedestre. Carro da ROTA pode dar ré em cima do seu carro e acabar com a lateral, e felizmente era um carro e não um pedestre ou um ciclista.

Os policiais não foram rudes com o Cris. Só deram aquela cozinhada básica e tentaram assustar dizendo coisas como “se fizer o BO, teremos que ir pro quartel pra levar a termo”. Quando viram que ele não ia desistir, foram pra Delegacia, e conseguiram levar 1h30 pra fazer o boletim – sendo que não tinha ninguém na frente, e foram atendidos assim que chegaram… talvez outra técnica pra ver se o Cris desistia do BO. E como o Cris não desistiu, no BO um deles serviu como testemunha pra dizer que ele havia descido do carro, feito sinal pros carros pararem, dois carros pararam e o Cris não. O Cris estava sozinho, não tem testemunha pra dizer que, segundo o Cris, nenhum policial desceu do carro antes da ré, só depois. E, mesmo que seja isso mesmo, quer dizer que o motorista dá ré sem olhar pra trás ou pro retrovisor, se o colega desce pra fazer sinal, significa que você pode manobrar à vontade sem precisar olhar ao redor?

Isso foi na terça. Até perdi a inspiração pra blogar. E tive um certo quebra-pau com o Cris, porque eu queria escrever pra jornal, pra ouvidoria da polícia ou algo do tipo, e pedir uma resposta de por que a área não é isolada numa situação dessas. Eu entendo que os policias estivessem tensos, e que é fácil fazer uma barbeiragem quando você está preocupado com bandidos. Ou talvez o motorista só fosse meio distraído, sei lá… mas e se não fosse um carro, e sim um pedestre ou um ciclista? E se fosse mesmo um assalto e houvesse troca de tiros, com aquele monte de pedestres e carros em volta? Não era algo que aconteceu repentinamente, quando o Cris passou por lá já havia 6 carros de polícia estacionados ao redor do Itaú. Ou seja, não faz parte do procedimento básico isolar o perímetro, isso é coisa de seriado norte-americano.

Se você estiver a pé ou de carro e topar com alguma muvuca que envolve polícia, tente ficar bem longe. Nunca se sabe quando um carro da polícia vai te albalroar, defenestrar, dar ré em cima de você ou pior.

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A observação sobre a solidariedade é porque coube a mim levar o carro à uma oficina pra inspeção do seguro. Cheguei na oficina, expliquei o que tinha acontecido. E depois, quando peguei o táxi pra voltar pra casa – e o taxista me pegou em frente à oficina, então perguntou “o carro quebrou?”, e eu contei de novo, a reação foi a mesma: parecia que os caras queriam me dar um abraço, me pagar um café. “Ah, a ROTA… não, não, não tem jeito mesmo, eles são terríveis… se precisarem cobrar algo de você, eles fazem direitinho, mas se foram eles que fizeram algo errado, pode esquecer…”, “Sim, e são mentirosos mesmo. Junta quatro policiais e mesmo que eles não tenham visto, todos vão dizer o que o companheiro está falando é verdade, e daí, o que você faz? É a sua palavra contra a deles”. O cara da oficina e o taxista me trataram com o mesmo tom solidário, a única diferença é que o da oficina me falou “ah, o Estado… pode esquecer, não adianta nada mesmo”, e o taxista disse “Processa. Se fosse eu processava. Processa e deixa correr…”

Não vamos processar. Não vou escrever pra jornal ou pra ouvidoria. Só vou fazer este post, com este humilde conselho: fique longe desses barbeiros caras-de-pau.