Qual é o próximo passo nessa discussão sobre as restrições impostas pelo ICMBio e Fundação Florestal

Atualização 12/jul/15: o presidente do ICMBio, Cláudio Maretti, criou um post no Facebook dele para conversar sobre o assunto. Aqui o link pro post, e minhas opiniões sobre o teor das nossas mensagens pra ele: http://claudiakomesu.club/o-que-escrever-para-claudio-moretti/

Andei conversando com um advogado que me explicou que seria possível mostrar que é inconstitucional proibir alguém de fotografar num parque público. Ou que seria possível tentar um projeto de lei que diria que a fotografia que divulga a natureza não pode ser taxada. Seria preciso ter uma instituição representando esses pedidos. Sei que a AFNatura tem umas certas divergências de abordagem, alguns membros não querem “partir pra porrrada”, que seria essa postura de críticas duras à situação atual. Eles querem seguir pelo caminho político… mas fizeram isso no passado e não deu certo. A portaria do ICMBio de 2011 é muito diferente da proposta da AFNatura e do que havia sido conversado ao vivo.

Eu soube que há gestores acompanhando nossas discussões, e discutindo entre eles. Meu melhor cenário? Que a gente não precisasse partir pra porrada realmente pública, nada de UOL e G1 com esses títulos sensacionalistas que eu tenho usado. Porque o objetivo não é brigar: é fazer os gestores reconhecerem que os cidadãos podem ajudar e que é necessário assumir uma outra postura na relação com as pessoas. Os fotógrafos de natureza, amadores e profissionais, não são infratores por princípio. Os observadores e fotógrafos da natureza são aliados da natureza e dos parques.

Se alguém fizer um abaixo assinado eu assino, e divulgo no meu blog, no Quero Passarinhar, no www.virtude-ag.com. Mas não consigo fazer muito mais do que isso agora. Nesta segunda provavelmente saio de férias (provavelmente porque há uma pequena chance das minhas férias miarem), mas se sair, devo ficar 3 semanas off-line, só volto no início de agosto. Quem sabe nesse tempo as conversas com os gestores estejam indo pra um bom caminho?

Se não estiverem, acho que eu iria pro caminho da porrada. De buscar assessores de imprensa, jornalistas, ver como a gente consegue publicar em portais essas notícias carregadas de reclamações – mostrando o vazio cultural de publicações, a diminuição das Unidades de Conservação, depoimentos de pessoas que já sofreram essa abordagem de ser proibido de fotografar numa área pública, o comentário de um advogado explicando como isso é inconstitucional, etc.

Eu não gostaria de ir por aí. Não faço parte do grupo que está totalmente desgostoso com ICMBio e Fundação Florestal, ainda estou no time que defende que a maioria das pessoas são bem intencionadas e que é possível mudar. Mas as vantagens de incentivar a fotografia, e os problemas de continuar taxando, controlando e proibindo são tão gritantes que se os gestores não agirem logo vou começar a achar que talvez eu esteja errada, que os órgão são comandados por pessoas mal intencionadas e que é preciso protestar e espernear com todas as nossas forças.

Eu sou ruim em redes sociais, mas nesse caso seria capaz de fazer grandes esforços pra criar uma onda de indignação e protestos. Não sou ativa nas redes socais, mas conheço muita gente e seria capaz de convencê-los a participar e repercutir. Muitas pessoas já têm se envolvido nos posts recentes.

Esta é minha sugestão: de darmos um prazo de 3 semanas pro ICMBio se manifestar. E se não houver resposta ou sinal de mudança próxima, vamos pro cenário de buscar apoio da imprensa e articular manifestações sincronizadas no Facebook.

Eu tenho como ter certeza de que essa conversa chegará no ICMBio. Não sei como fica com a Fundação Florestal… tenho um e-mail de assessoria de imprensa, mas é o povo pra quem perguntei três vezes quais são as regras pra fotografar nos parques e nunca me responderam, então não sei se adianta esse canal, talvez fosse preciso ter outro contato.

Esta é apenas uma sugestão do que me parece um caminho razoável. Nada impede que vocês sigam por outros caminhos, só não conseguirei acompanhar ou apoiar agora em julho, só em agosto.

Obrigada por tudo. Não esperava que o assunto fosse tomar essas proporções. Conversar com pessoas dispostas a agir renova minha fé no birdwatching. Eu andava desanimada com o discurso de “cada um faz o que quer e o importante é ser feliz”, mas agora sei que há pessoas que entendem a importância da atuação como grupo.