Puerto Iguazu e um pouco de Guaíra – PR. E de Iberá, só o cheiro.

“Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera”.
Joseph Campbell

Campbell tem sido meu pastor em vários momentos. É verdade que eu grunhi de frustração quando tentamos chegar pela rota 37 a Iberá (Esteros del Iberá, o pantanal da Argentina, um local incrível que conhecemos em 2012, e que queríamos voltar), mas deslizamos como manteiga e tivemos que voltar. E no dia anterior, foi a bondade de dois argentinos, o Cesar e o Máximo, que nos impediu de passar a noite na estrada, atolados na rota 40. Mas ainda que o dia do atolamento tenha sido punk, e os planos iniciais eram só de aproveitar Iberá, logo pensei no Campbell e entrei no modo de “deixa pra lá a viagem que planejamos, vamos descobrir qual é a vigem que nos espera”.

Se não fossem por esses dois, teríamos tido que passar a noite na estrada
Se não fossem por estes dois anjos, teríamos passado a noite na estrada

Eu e o Cris rodamos 4.000 km em 10 dias. Teve uns dias em que não pegamos estrada, na maioria dos outros foram mais de 500 km por dia. Uma viagem pra acabar com a frescura de pensar que qualquer lugar a mais de 2h de São Paulo é looonge.

Claro, dirigir na Argentina ou no Uruguai não é como dirigir no Brasil. Estradas boas, sem buracos, na maior parte do tempo retas, muitos trechos de pista única mas fáceis de ultrapassar, e logo aparecia a terceira pista por alguns quilômetros para facilitar ainda mais. Pra não dizer que foi tudo um mar de rosas pegamos uns trechos em obras com sinalização ruim, e eu peguei um filho-da-puta na contramão, 22h30, nós dois a alta velocidade. Era um trecho que havia a terceira faixa, acho que ele não percebeu que a pista era minha, não dele. Não tiramos fina, mas é um susto grande ver um carro vindo de encontro.

Não teve muitas aves. Pensar que na primeira tentativa de chegar a Iberá eu fui ignorando gavião-do-banhado plainando baixo, os bandos de caboclinhos, pensando “ainda estamos longe do lugar onde vamos dormir hoje, amanhã e depois e depois e depois teremos muito tempo pra fotografar”. Mas atolamos, e tivemos que reconhecer que não tínhamos carro pra chegar lá. Não bastava ser 4×4, tinha que ter pneu grande e suspensão.

Sem muitas aves, mas paisagens e experiências maravilhosas.

Um dos amanheceres mais mágicos que já vi. O sol subindo, fazendo com que a bruma no rio Paraná ficasse dourada. No Parque Nacional da Ilha Grande, na parte sul, por Guaíra:

Um dos melhores banhos de descarrego que se pode ter: o tal passeio em Foz do Iguaçu, seja no lado brasileiro ou argentino, em que o barquinho chega perto das cachoeiras. Água caindo forte, de sentir pingos doídos nas pálpebras e ter que proteger o rosto. Mas a sensação era maravilhosa, de descarrego mesmo:

O Salto de São Francisco, em Guarapuava – PR. Uma das maiores quedas d´água do Brasil, com 196 metros. Nunca dei muita bola pra cachoeiras, mas ao me deparar com essa, fiz algo que raramente faço: um pequeno grito de surpresa e admiração. É lindo-lindo.

Outro lugar lindo-lindo, neste post cheio de adjetivos e hiperlativos, é a Garganta do Diabo. Na verdade, Garganta del Diablo, porque você precisa ver pelo lado argentino, onde há passarelas em que você chega bem perto desse negócio incrível que parece portal pra outra dimensão. Vale a pena olhar as fotos do Google, tem imagens aéreas que te deixam mais embasbacado ainda com as belezas da geologia.

Muita diversão com braboletas e outros bichos. A muvuca de borboletas foi em Puerto Iguazu, perto da estação Garganta del Diablo:

Foram poucas fotos de aves, mas não significa que não teve foto nenhuma:

Também houve encontro com lagartos e morcegos:

E paisagens diversas, o tempo todo céus de encher os olhos:

Estes foram os destaques dessa viagem com roteiro inusitado, inventado a cada dia. Todas as fotos feitas por mim ou pelo Cris. Usamos Nikons D800 com lentes diversas, Fuji X-E1, e a discreta Olympus Tough TG3, que tem a hedionda programação de colocar o nome OLYMPUS DIGITAL CAMERA como título do arquivo, e daí polui a galeria, mas fiquei com preguiça de apagar.

Daqui a alguns dias faço um trip report (que é o relato com informações úteis sobre como fazer o passeio, e sem palavrão) no virtude-ag.com e acrescento o link aqui.