Primeira batalha ganha: saiu a portaria da Fundação Florestal sobre observação de aves

Nesta semana finalmente foi publicada no Diário Oficial a Portaria da Fundação Florestal sobre a observação de aves nas Unidades de Conservação regidas pela Fundação.

É bonita. Tem um tom de simpatia ao cidadão, a lista de exigências não é infindável e nenhuma é absurda. Diferente de muitas portarias que eu já li.

Há uns dois itens que a gente queria que fossem diferentes. Na redação final saiu o parágrafo que falava de câmeras grandes e tripés, e a história do cadastro não veio com a palavra “opcional”, e ficamos com receio de gestores impositivos. Mas são detalhes. Eu não conseguia ver isso na primeira vez que li porque estou surtada, reconheço. Surtada de ter passado o dia derramando umas lágrimas sempre que pensava no assunto, e só fui sossegar no dia seguinte, quando vi a mensagem do amigo Fernando Carvalho, rindo do meu perfeccionismo, dizendo que a gente tinha conseguido mais de 90% do nosso objetivo e ainda assim eu estava triste.

Menos de um ano atrás discutíamos como poderíamos processar o ICMBio e a Fundação Florestal. Então aconteceram todas aquelas coisas no ano passado, e quem acompanhou o blog (ou basta clicar na categoria birdwatching) pode ver o quanto eu sofri e xinguei. Não as instituições, o problema não foi com elas, e sim com os meus colegas birdwatchers. Teve um povo que conseguiu me azucrinar a ponto de contaminar minha alegria de passarinhar, a ponto de quase me fazer desistir.

Na verdade, eu teria desistido se não fossem uns amigos passarinheiros, um pessoal com saco de ouro, que me aguentou durante todas as semanas surtada. Inclusive nosso contato da Fundação Florestal, que aguentou todas as minhas reclamações sem me mandar pra pqp. Um pessoal incrível.

Não foi fácil, mas agora vencemos essa primeira fase e tudo valeu a pena. Valeu muito. Eu devia só ficar quieta, mas sofri muito, não vou resistir a fazer esse post.

Aos meus colegas que:

– não leram nada da nossa proposta, mas não tiveram nenhum pudor em passar semanas nos criticando, mesmo sem ter lido nada;

– que ficaram espalhando as piores calúnias, coisas do tipo “essa portaria vai obrigar todos os birdwatchers a contratarem agências de turismo sempre que forem passarinhar”, e quando eu pedi pra explicar de onde ele tinha tirado essa ideia, como ele podia falar um disparate desses, não me respondeu. Caluniar é fácil. Reconhecer que falou merda ou pedir desculpas não é;

– aos meus colegas que caluniaram muito pessoas que sempre só fizeram o bem pelo birdwatching, inventando as piores hipóteses, falando bobagens pra todo mundo;

– aos meus colegas que tentaram me convencer de todas as formas a desistir do processo, inclusive me oferecendo um “mas você pode ligar pra mim da próxima vez que um funcionário tentar te proibir de fotografar, eu resolvo pra você”;

– aos meus colegas que falaram que a nossa luta era uma coisa mesquinha, uma frescura de coxinhas. As palavras exatas foram: “Uma cultura não serve para poucos fotógrafos que compram uma tele e gostam de aves, sendo o mundo muito maior que isto!” (essa frase veio da mesma pessoa que me ofereceu o “esquema” pra não ser proibida de fotografar);

– aos meus colegas que me falaram que eu estava errada e que ia me arrepender muito;

Só tenho uma coisa a dizer:

 

Taí no cabeçalho do post.

 

Quem quiser saber mais sobre o assunto:

http://virtude-ag.com/liberdade-quando-agimos-em-grupo-somos-fortes-venha-participar-exige-pouco-mar2016/

http://virtude-ag.com/biblioteca-portaria-de-observacao-de-aves-da-fundacao-florestal-mar2016/