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Preces respondidas rápido demais: horrorizando os católicos e a chance de falar de bullying

Hoje de manhã fiz uma prece pública, pra expressar o quanto eu quero outro tipo de relações entre as pessoas. Vocês sabem: sentido é a gente que inventa, então estou associando a prece aos eventos que se sucederam:

  • um amigo ornitólogo, desses bem competentes, me escreve pedindo pra eu dizer o que que é uma ave que eu postei a foto num post, e diz que pode ser uma nova espécie. Ele é muito competente. Mas eu sou de Occam, a ave estava longe e não na melhor posição pra identificar, então não me permiti ter um ataque cardíaco. Mandei mais três fotos, ele concordou que deve ser o que eu achava que era, mas alguma mutação com plumagem diferente. (Acreditem, não é todo dia que um ornitólogo top acha que você pode ter descoberto uma nova espécie. Foi um bom teste pro meu emocional).
  • Por algum motivo o assunto da conversa mudou para um conhecido que andou expressando carência e comportamentos não muito adultos no Facebook. Esse amigo ornitólogo falou disso. Mas eu conheço o cara que foi gafento, gosto dele, e o defendi. Falei dos problemas dele, dos motivos prováveis dele ter feito isso, e como podemos ser compreensivos com as pessoas que têm problemas. Ele concordou comigo e me brilhou a alegria de ter contribuído com a promoção da bondade.
  • As pessoas que estudaram comigo dos 7 aos 14 anos estão se articulando pra fazer um grande encontro. Entrei pro grupo do WhatsApp, principalmente porque quem está agitando o evento é um cara de quem eu gostava bastante, há um tópico no Facebook sobre o encontro, e aconteceram coisas engraçadas:
    – um dos meus colegas me chamou de a mais CDF da turma e hahahahaha. Pensei em várias respostas pra ele (se tivesse clicado no nome dele e visto as fotos de perfil, não precisaria ficar pensando, tudo faria sentido). Antes de eu ter chance de responder, esse amigo que está organizando o encontro falou que o comentário era bullying. Resolvi não discutir nada, só curti os comentários. Vi que agora apareceu outra pessoa pra falar “é verdade [que a Claudia era mais CDF] hahahahaaa”
    – quem é novo não deve saber disso, mas CDF significa cu de ferro, era o nome antigo pra nerd, mas sem glamour, só como motivo de riso e deboche.
    – não estou chateada com essa. Na verdade, fico esperando a figura, ou outra pessoa, provocar um pouco mais e me dar só um motivo pra responder direito.
    – no grupo do WhatsApp… lembram de tudo que eu falo sobre se expor de forma cuidadosa, nunca falar nada ofensivo ou perigoso? Bom, eu nunca faço isso. Ou melhor, eu adoro correr os riscos de assumir a estratégia de risco, que é falar algo polêmico, mostrar um pouco de mim, e já identificar quem vai rir ou quem vai se horrorizar. No grupo eles estão marcando um encontro ao vivo para falar do grande encontro, o meu amigo que está organizando o evento falou “posso qualquer dia depois das 19h”, e eu falei “isso só me faz pensar que você deve ser outro membro do movimento pela extinção voluntária da espécie humana”, “Por quê???”, “Imagino que você não tem filhos. Quem tem filhos tem muitas restrições de dias e horários”.

Vários falaram dos filhos, e alguns citaram o nome de Deus. Deixei claro que adoro crianças, que era uma brincadeira, mas já serviu pra mostrar um pouco de mim, e dos outros.

  • foi depois de eu ter escrito este post, mas ainda foi ontem: na linha de se expor, abri um tópico no meu Facebook contando de alguns filmes e livros que me fizeram chorar bastante, e pedi pros outros contarem histórias deles. Teve um cara que eu conheci num passeio neste ano, gostei muito dele, eu tinha linkado o nome dele e ontem apareceu a resposta:
    “Há vários na lista, alguns que assisti muitas vezes outros que assisti e não tenho coragem de rever, por enquanto.

    Adorava exibir e debater com meus alunos “Mar Adentro”, atuação belíssima de Javier Bardem, excelente direção. Sou fascinado pela temática vida e morte e nesse filme os diálogos e dilemas me faziam mergulhar nessa questão.

    Tanto quanto “Asas do Desejo” (Wim Wenders) com seu diálogos e monólogos: ” O tempo cura tudo, mas e se o tempo for a doença”. Morri uma semana depois dessa.

    Ah, chorei muito também com “Dançando no Escuro”, que é uma sessão de tortura do início ao fim, mas, mesmo sabendo disso, resolvi ir assistir sozinho no cinema, sábado chuvoso, sessão da meia-noite. Resultado, saí do cinema, paguei o estacionamento e peguei o carro chorando aos prantos. Dirigi pela marginal durante quase uma hora e não sabia se a água que via na pista era chuva ou lágrimas.”

Não é lindo? E várias outras histórias lindas que me contaram.

A gente fala muito mal do Facebook, mas o Facebook é só o meio, o conteúdo é a gente que cria. Divirtam-se, arrisquem-se, exponham-se.