Pra todos os filhos da puta que são contra o direito ao aborto e à educação sexual

Antonio Lima é especialista nas chamadas arboviroses, como dengue e zika. Acompanhou a pesquisa com um olhar médico e descobriu que os bairros com maior número de homicídios são os mesmos onde há mais sífilis, tuberculose e gravidez adolescente. Provou com números a superposição dos mapas de violência e de um sem-número de ausências – saúde, escola, emprego, lazer.

Pelos números da pesquisa, dos adolescentes mortos em Fortaleza, 55% eram filhos de mulheres que foram mães na adolescência; 64% tiveram amigos assassinados; 73% abandonaram a escola pelo menos seis meses antes da morte; 55% haviam experimentado algum tipo de droga (lícita ou ilícita) entre 10 e 15 anos; 73% sofreram violência policial anterior.

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‘É um genocídio de jovens pobres, negros e do sexo masculino, num quadro de vulnerabilidade social em territórios mais pobres, junto com uma cultura de violência e a forte evasão escolar.’

Educação sexual, distribuição de camisinha, permitir o aborto até os 3 meses, tudo isso é imoral. Mas viver o inferno da pobreza, da precariedade, o desespero de ser mãe solteira, de ser filho de mãe solteira que teve que largar a escola quando engravidou, de crescer em família sem estrutura nenhuma, ter que largar a escola, ter amigos assassinados, matar, morrer… nada disso é imoral.

Outro ótimo artigo da da BBC: O raio-X das mortes na capital mais perigosa do Brasil para adolescentes: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40140922