Por que blogar?

Queria que você escrevesse. Porque acho que faz bem pras pessoas, porque sempre fez bem pra mim, e quando escrevemos sobre as coisas importantes, estamos fazendo bem pro mundo também.

Blogs são mensagens em garrafas, perdidas como mensagens em garrafas. Mas você sabe o que é encontrar a mensagem, seja num momento em que você se sente apenas outro náufrago, seja num momento de se sentir seguro no continente. É sempre emocionante, tanto pelo sentimento amoroso de que aquela mensagem foi escrita pra você, por sentir carinho pela humanidade, como por poder acreditar que as pessoas valem mais a pena do que geralmente parecem valer.

Meu único conselho importante sobre blogar é a importância de escrever pra si e desencanar da audiência. Ligar-se na audiência ou em taxa de retorno é algo demoníaco no mau sentido. Escreva apenas por você, sobre aquilo que lhe importa naquele momento e foda-se quantas pessoas estão lendo ou gostando. É blog, não é trabalho, não há obrigações.

Mas não vou ficar enchendo seu saco. Porque a vontade de escrever é daquelas coisas que desce ou não desce. Não faz sentido se forçar a escrever algo que você não tem obrigação.

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E também queria que você voltasse a escrever. Não precisa passar o link pra ninguém se não quiser. E você falou de vexame… Talvez você estivesse meio surtada, mas e daí? Escrever não nos ajuda a expurgar nossos demônios? Sempre acho que ajuda. Compartilhe ou não compartilhe o link com os amigos, anônimo ou não, vexame ou não, não importa. Fora que não considero vexame algum ser intensa e assustadora. Pra mim vexame mesmo é escrever coisas bocós insossas beijinhos de luz.

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Eu escrevo muito. Posso ficar em silêncio por bastante tempo, mas quando me manifesto num zapzap, FB, um e-mail, em geral é pra escrever um punhado.

Não sei se sou uma escritora, acho que não, mesmo quando escrevia ficção nunca me senti com pretensões literárias. Mas guardo um pequeno orgulho, tanto da época da ficção, quanto dos blogs: quero acreditar que compartilho algo com escritores. Dizem que escritor é aquele que escreve porque precisa, e é assim que me sinto. Eu escrevo muito, porque preciso muito.