A loucura ronda a família

Uma parente próxima por parte do meu pai se suicidou quando tinha 20 e poucos, essa idade terrível em que tantas mulheres se matam, ou desejam sinceramente se matar. Um parente da minha mãe se jogou na linha do trem. Outro parente já foi hipnotizado em um ônibus, chegou em casa dizendo pra mãe que precisava ir até o banco, dar dinheiro pra fulano. Uma outra parente tinha um problema cristão de culpa por qualquer coisa que cheire a ócio ou lazer. Um outro tinha Alzheimer, outro tem TDAH, outra teve um aneurisma e mudou de personalidade.

Eu me apaixonei pelas aves, praticamente só faço passeios e viagens pra ver aves, penso em aves o tempo todo. Quando viajo pra cidades, vou pros parques urbanos fotografar aves, pros museus ver as aves nas pinturas, cerâmicas e esculturas (o famoso birdwatching de museu, não sei de mais ninguém que faça isso), e pras livrarias atrás de livros sobre aves. Ignoro o infame comentário familiar de que quando eu era criança, meu brinquedo favorito era um pintinho de plástico, de dar corda (o da minha irmã era um ganso), e que eu não tinha medo de pegar em minhocas (é um comentário só, as duas informações sempre são lembradas juntas, porque minha família se diverte em falar de pintinho e minhoca ao mesmo tempo).

Duvido que minha família seja mais maluca do que a média. Acho que quem não tem uma lista como essa está mal informado.

O mundo com mais sabor

Uma das pessoas mais queridas da consultoria onde eu trabalhava é uma unanimidade pela simpatia e bondade genuína, daquelas que transparece evidente no rosto.

Mas não é por isso que eu gosto tanto dele. O que mais me trazia admiração era a capacidade dele fazer coisas inesperadas – como chegar na nossa sala e fazer gestos de quem vai tirar a camisa. Só uma fração de segundos, todos concentrados como sempre, talvez só eu tenha visto, mas é uma lembrança pra vida toda.

Um dos meus melhores amigos da época da faculdade era alguém capaz de – dizem, atravessar uma rua lotada de carros, farol para pedestres verde, hora do rush, rodopiando com passos de bailarina. Outra visão para se guardar com todo carinho.

Perdi o contato com esse amigo da faculdade, mas o amigo da consultoria posso passar meses sem ver, quando nos encontramos é sempre a mesma alegria. Gosto muito dele não só pela capacidade de iniciar uma cena de strip tease, Continue reading O mundo com mais sabor

Um colecionador obcecado e fanático de desilusões

“Alguém que realmente quer conhecer a si mesmo deveria ser um colecionador obcecado e fanático de desilusões, e a procura de experiências decepcionantes deveria ser, para ele, como um vício, na verdade como o vício dominante da sua vida, pois então ele compreenderia, com toda a clareza, que a desilusão não é um veneno quente e destruidor, e sim um bálsamo refrescante e tranquilizante que nos abre os olhos para os verdadeiros contornos de nós mesmos.

E não são apenas as desilusões em relação aos outros ou às circunstâncias que deveriam importar. Quando descobrimos Continue reading Um colecionador obcecado e fanático de desilusões

Se não fôssemos tão tapados

Acho que minha musa foi o Card. Orson Scott Card. Com seus livros do pequeno gênio (que não era nada orelhudo no livro) determinado, solitário, maldito. Eu devia ter uns 14, 15 anos, e os livros do Card me ajudaram a ter essa clareza sobre o quanto estamos prontos para temer e odiar o desconhecido, o outro, o estrangeiro, o alienígena. E como tudo muda quando somos capazes de sentir um pouco como o outro sente e vê o mundo. Com um pouco de compaixão.

Foi uns poucos anos depois que o Luisão comentou sobre o Programa Erasmus. Ele falou assim: “um programa de intercâmbio entre universidades, inventado para evitar a terceira guerra mundial”.

Olhando o site hoje do Erasmus, em português, é difícil acreditar Continue reading Se não fôssemos tão tapados

Por que ter medo dos nossos desejos

Neste fim de semana descobri no Netflix o Once Upon a Time in Wonderland e assisti a uns dois episódios (não na ordem certa, é claro).

“Nossa, que seriado tosco” – o Cris, que só viu algumas cenas, por trás da tela do notebook. Tá certo, é tosco. Mas tosquice não é motivo pra descartar algo. Em outro momento explico por que pretendo assistir outros episódios.

Por enquanto queria falar de uma cena que me fez pensar. Alice tem com ela três desejos de gênio de lâmpada. Não ria muito, mas tem gênio de lâmpada, mago malvado, tapete voador, rainha de copas que acha que ser malvada é sorrir fazendo biquinho. Alice está com esses desejos porque os ganhou do gênio, e também se apaixonou pelo gênio – que tem aparência humana, não de gênio de desenho da Disney.

O Knave of Hearts (eta nome bom) pergunta por que ela não usa um dos desejos para se reencontrar com o gênio (que parecia ter sido morto pela rainha, mas depois descobrimos que está só sequestrado). “Desejos são traiçoeiros… posso pedir, e o reencontro enfocardo, pendurado numa árvore”.

Pensei que é verdade. Como aquele episódio do Além da Imaginação que passava na Globo, em que uma mulher descobre que os livros da biblioteca em que ela trabalha contêm a vida das pessoas, e ela passa a reescrever sua própria vida. Muda seu cenário amoroso, mas começam a acontecer coisas estranhas, de repente ela chega na casa e tropeça num móvel que não existia, ou falam pra ela de coisas que ela não lembra. Até que a irmã dela morre afogada, ela vai correndo desesperada pra biblioteca, não encontra mais o livro da irmã, e quando explica pra velhinha – de quem era assistente, o que andou fazendo e por que precisa pegar o livro de volta a velhinha pergunta “você fez tudo isso e achou que não teria nenhuma consequência?”

Não é por uma questão moralista. Acho que temos o direito de ser muito felizes, ter do bom e do melhor, encontrar príncipe encantado, trabalho empolgante e que paga bem, viver bem com a família, ter os melhores amigos, viajar, passear. Mas realização de desejos como um passe de mágica é outra história. Porque pode ter consequências imprevisíveis, porque podemos não estar preparados. De repente temos algo maravilhoso em mãos, e não sabemos o que fazer com aquilo, estragamos tudo, fodemos tudo. Mudanças radicais podem ter consequências imprevisíveis.

Pra falar de forma menos etérea, vamos pro exemplo crássico e típico: o desejo de encontrar sua cara metade, uma pessoa que te complete, pra viver apaixonada, plena. Não é errado desejar! Mas acho errado desejar que seja como um passe de mágica.

Quando não é passe de mágica? Quando você está dando duro pra que isso aconteça. Cuidando das noias da cabeça, trabalhando autoconhecimento, domando angústia e ansiedade, aprendendo a gostar de você, cuidando do corpo, saúde, lazer, hobbies, procurando formas de conhecer pessoas, se sentindo aberta e disposta. Trabalhando pra ser uma pessoa inteira. Nesses casos, quando aparece uma pessoa legal não é passe de mágica: é consequência do que você construiu e atraiu pra si.

Mas se a pessoa está em outro pique, o que acontece? O presente cai no colo em geral a pessoa só faz cagada. Briga com o outro, afasta o outro, machuca o outro. O outro vê suas qualidades verdadeiras, ou não teria se interessado por você, mas muitas vezes cansa e desiste. Sem final feliz.

Então a mensagem calvinista de hoje é: pode desejar à vontade, mas não espere que caia do céu, nem peça pra cair do céu. Trabalhe pra que seu desejo aconteça, e quando acontecer, que seja com a satisfação de saber que você mereceu.

Painel Tijuca

Atenção: este post só serve para o grupo que está conversando sobre o Painel da Tijuca. Subi aqui fotos minhas e do Cris, caso alguém esteja com curiosidade de ver.

Reparem que não usei o critério de foto de guia de campo (fundo mais limpo possível, bicho sempre no aberto e numa pose que mostre as principais características). Não sei qual será o critério do pessoal da agência, mas acho legal fotos que mostram um pouco do ambiente, ou poses mais diferentes, por isso incluí imagens assim.

 

Fotos que considerei boas. Mas nada impede que você mande dessas espécies também, ainda mais se sua foto captar algum momento diferente, ou se sua foto for bem melhor.

 

Fotos minhas que acho duvidosas por motivos diversos, (na planilha do Google Docs eu listei os motivos) se você tiver melhores, por favor envie

 

Outros animais de Mata Atlântica

 

Flores, insetos

 

Cenário