Os sentimentos não são intrínsecos e sim culturais e pessoais

New Neuroscience Reveals 3 Secrets That Will Make You Emotionally Intelligent

Fago, litost, and the rest are not emotions… to you. That’s because you don’t know these emotion concepts; the associated situations and goals are not important in middle-class American culture. Your brain cannot issue predictions based on “Fago,” so the concept doesn’t feel automatic the way that happiness and sadness do to you… Yes, fago, litost, and the rest are just words made up by people, but so are “happy,” “sad,” “fearful,” “angry,” “disgusted,” and “surprised.”

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Esta foi uma das leituras mais interessantes dos últimos anos.

Raiva. Amor. Saudade. Medo. Inveja. Em geral a gente pensa que sentimentos são coisas universais, originadas de alguma forma no cérebro de todo ser humano.

Mas não são.

Os estudos da neurociência dos últimos 20 anos não conseguiram rastrear um único sentimento, ou melhor, não encontraram um padrão. Descobriram que o padrão é a falta de padrão, não há uma área específica para cada sentimento.

Houve estudos, de pessoas que têm alguma síndrome, ou sofreram algum acidente e, por exemplo, passam a não ter mais medo, então a suposição é de que o medo residia naquela parte danificada do cérebro. Mas depois surgiram outros estudos, mostrando que aquelas pessoas sentiam outros tipos de medo, ou mesmo pessoas com as mesmas deficiências no cérebro mas que ainda eram capazes de sentir medo.

Sentimentos não são universais. Eles são aprendidos. Dependem do país onde nascemos, da nossa família, do meio social, da nossa vivência.

Falando assim parece bem óbvio, não parece? Quanto mais eu penso nessas coisas, mais elas parecem absurdamente evidentes. Mas a neurocientista que tem defendido essa teoria tem enfrentado reações bem adversas. Ela conta de um colega que apontou o dedo na cara dela, de outro que falou que ela só era capaz de dizer isso porque provavelmente nunca teve sentimentos autênticos, outro que falou que ia mostrar pra ela o que era raiva dando um soco na cara dela. Veja: todos colegas de trabalho.

Olha um exemplo simples. Raiva. As pessoas têm reações muito diferentes quando sentem raiva. Algumas querem bater, socar, gritar. Outras choram. Outras se recolhem, se fecham. Outras riem. E a mesma pessoa pode sentir raiva e ter reações diferentes em situações diferentes, com pessoas diferentes, em fases diferentes da vida.

Outro teste dos neurocientistas: mapear a atividade cerebral de pessoas que eles provocavam pra que elas ficassem com raiva. Um grupo que discutia política ou religião, e havia pessoas orientadas a ridicularizar as opiniões deles. Não só as reações eram diferentes, como no mapeamento cerebral pra cada pessoa havia uma área diferente com mais atividade. Não há padrão.

Duas grandes revelações do texto do Eric Barker, apoiado no livro da Lisa Barrett: (1) sentimentos não são intrínsecos, e sim aprendidos e (2) vocabulário faz diferença no seu grau de inteligência emocional.

É simples. A gente pensa em palavras, certo? Quer dizer, acho que a maioria das pessoas pensa em termos de palavras. Você pode lembrar de luz, sons, cores, mas pra elaborar algum pensamento, é difícil fazer isso se não for com palavras. É neste momento que quanto melhor for seu vocabulário, sua sensibilidade, sua capacidade de se entender e entender e analisar os outros, mais refinados serão seus pensamentos.

“Estou mal” é algo que traz pouca informação. “Me sinto frustrada porque tenho a sensação de que pessoas com quem me importo não se importam comigo no mesmo grau, e isso faz eu me sentir inferior, como se houvesse algo de errado comigo” — olha a diferença, com várias dicas de como pensar na questão pra parar de se sentir mal.

Vale a pena ver o artigo do Eric, e recomendo muito o livro da Lisa também. Comprei no Kindle, estou no começo, mas já adorando.