O que você faria com três dias off-line?

Tá bom que pra quem trabalha é difícil, mas administrável se programado com antecedência. Três dias sem Zapzap, sem olhar e-mails, sem consultar Google, sem olhar sites de notícias, sem Facebook, sem Messenger, sem Skype, sem Sonos, sem Rdio, sem blogs, sem Vimeo, sem Youtube, sem jogos multiplayer, sem ficar borboletando por assuntos diversos, sem seriados, sem filmes. E sem 99 e sem Waze.

Me considerava uma pessoa bem desapegada da vida online. Zero na rede de relacionamentos, aparições esporádicas no Facebook. Off-line em viagens. Mas na semana passada, logo depois de ter publicado sobre a misantropia, perdi a internet e o 3G ao mesmo tempo. Três dias desconectada. Três dias pra ver como ainda assim, a dispersão tinha se infiltrado no meu dia a dia.

Ficar sem internet e sem 3G em viagens é fácil. Mas sozinha na sua casa, ficar desconectada e sem TV é uma sensação bem estranha, quase uma irritação de viciado.

Sou desapegada da vida online, mas descobri que era capaz de volta e meia, de forma quase inconsciente, abrir o Gmail, ou o Facebook, ou links de notícias ou dos sites que gosto de ler os artigos. Nada demais, eu sei. Mas o certo é contabilizar na dispersão, porque é.

Sou aposentada, não tenho filhos, tenho empregada duas vezes por semana, misantropa, poucos amigos, poucos compromissos sociais, viajo pouco pra ver a família, e mesmo assim o dia parece ter menos horas do que eu queria.

 

O que você faria com três dias off-line? Posso contar o que eu fiz:

Começou numa terça à tarde. À noite, quando vi que estava mesmo sem e que provavelmente não ia voltar, fui pra Cultura e encontrei um dos melhores livros de fotografia de natureza que já vi, o The Master os Nature Photography, da editora Firefly. É um livro incrível, desses que faz você mudar de sintonia. Post sobre o livro.

Na quarta à noite meu melhor amigo veio em casa, e conversamos como há meses não conversávamos. Era pra uma outra amiga querida estar junto, mas ela teve que desmarcar em cima da hora, uma pena. Mas aproveitamos mesmo assim, e bebi como há meses não bebia.

Na quarta e na quinta, durante o dia, além de editar um montão das fotos do BSOP Millions também trabalhei num fotolivro da nossa viagem pra Canastra, e ficou lindo. Só não terminou porque penso em fazer a cornice de no final ter aquele índice de fotos, com legendas e EXIF das imagens. Sei que sou suspeita em dizer, mas olho pra esse projeto e penso que deve causar um bom efeito em quem vai pra lá e não vê nada, como eu era em 2005.

Na quinta à noite era dia de Daniel. Jogamos um pouco de Minecraft usando o 3G do Cris.

Na sexta a querida Natalie, a secretária do Cris, depois de passar por uns 10 atendentes, conseguiu um santo que religou nossa internet. Voltamos a ter internet e TV. Foi um fim de semana com o Daniel, focados nas brincadeiras com o Daniel – e segunda de manhã ainda era com ele, mas agora que volto ao meu pequeno reino de escolhas do que fazer com o tempo que me é dado, volto à rotina ciente de como estava desperdiçando meu tempo em vários pacotinhos de alguns minutos, e como posso me concentrar e render muito mais se realmente for capaz de desconectar.

Eu teria encontrado o Marcelo mesmo que tivesse internet, já estava combinado há mais de uma semana. E talvez tivesse começado, mas não terminado, o livro da Canastra. O livro dos mestres da fotografia eu não teria encontrado, só vi porque bateu a inquietude de vazio e solidão e me vi obrigada a sair de casa na primeira noite. Mas o mais importante foi a percepção de como, mesmo me considerando pouco conectada, eu tinha permitido que a dispersão invadisse minha rotina.

Acho que todo mundo tem coisas que gostaria de fazer, mas se sente sem tempo pra isso.

Esta é a proposta: experimente arrumar 3 dias no mês, ou a cada 2 meses, para ficar off-line, e ver como é. De repente muita coisa pode acontecer.

 

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