O que importa é ser feliz?

Acho que foi numa Caras, e acho que a pergunta era “A felicidade é o objetivo da vida?”. Para o Paulo Coelho, disso tenho certeza, assim como tenho certeza de que ele respondeu que não. O objetivo de vida dele era a busca por conhecimento. E que felicidade é algo bem mais complicado.

Falem mal à vontade, mas sempre vou respeitar alguém que conseguiu ganhar tanto dinheiro vendendo livros no Brasil – e no mundo. E guardei a informação como referência, porque acho que ele está certo – não que o conhecimento precise ser o objetivo de vida das pessoas, aliás, ele não disse isso. Mas concordo que felicidade pode ser algo bem complicado.

Na semana retrasada estava fazendo um boneco de um livro de poker. Tinha pedido pro Cris garimpar frases sobre poker, e o Cris é um ótimo editor. Mas não é fácil achar frases que não tenham algo de agressivo, então me vi buscando frases sobre sorte, emoção, adrenalina. Duas ótimas do Campbell que coloquei no livro:

“Dizem que o que procuramos é um sentido para a vida. Penso que o que procuramos são experiências que nos façam sentir que estamos vivos.”

“Aproveite cada minuto, porque o tempo não volta. O que volta, é a vontade de voltar no tempo.”

E poderia ter colocado esta também, se pudesse atribuir a outra pessoa. Mas três citações do mesmo autor já seria demais:

“Encontre a paixão da sua vida e siga-a, siga o caminho que não é caminho.”

Não há ninguém como os americanos pra conseguir formular frases tão comoventes, que calam tanto. Pelo menos na alma nipônica: vocês sabem como a cultura pop, mais as ideias sobre paixão e aproveitar muito a vida casam perfeitamente com esse povo insular pra quem a vida só pode ser vivida com honra.

E um detalhe: sentir-se vivo, aproveitar o tempo, encontrar sua paixão são ideias que rodeiam o conceito de felicidade, mas o Campbell não usa a palavra felicidade. E imagino que o motivo é que felicidade é algo mais abstrato ainda, e em geral pressupõe não haver dor ou tristeza. Mas como dissociar paixão e vida de dor?

Com frequência dizemos ou pensamos “o que importa é ser feliz”, mas talvez não. Talvez o que importe é seguir o caminho que você escolheu pra você. E pra quem tem a alma leve ou profundamente americanizada, é um caminho que sempre estará influenciado por aquilo que faz você se sentir vivo e apaixonado – mesmo que seja algo com tropeços, revezes ou angústia.

Quem leu o post do Wilde vai encontrar as semelhanças de ideias, fiz uma seleção de frases que não é por acaso. Entre tantos caminhos possíveis e seguros segui dizendo não. Não para as ONGs. Não para a maternidade. Não para cursos. Não para clubes (fora o meu próprio). Não para os grupos.

Todos os outros já existem, na busca pelas coisas que fazem eu me sentir viva, trilhando o caminho que não é caminho.