O prazer de carregar um trambolhão preto de quase 3kg durante dias

No meu antigo blog, durante um curto período fui uma pequena autoridade em sadomasoquismo. Só porque escrevi um post falando dos prazeres de fotografar aves com uma DSLR: quase 3kg iniciais que se tornam 4, 5 ou 6 no final de alguns dias carregando o trambolho no ombro. As marcas roxas no ombro. As dores nos braços. Ter o dedo esmagado porque você não girou o suficiente a minialavanca da ball head, não firmou a câmera direito, então de repente a câmera pende pra um lado em cima do seu dedo. Perder o melhor urubu-rei da sua vida porque é fim do dia, você tenta levantar a câmera, não consegue enquadrar nada, e depois tem que reconhecer que não foi pura incompetência, era falta de músculos também.

Carregar a câmera no tripé, apoiada no ombro como se fosse cruz, e os guias sempre vêm te perguntar se você precisa de ajuda, e eu respondo “o tripé não é pesado, não se preocupe… e se eu não pudesse carregar não devia ter. Se precisar de ajuda eu te falo” – mas nunca pedi, não importam os roxos no ombro, as dores nos braços. No dia que não conseguir mais carregar, troco por uma compacta ou um binóculo.

Três quilos de equipamento, durante dias, é um perrengue do tamanho de um (não vou usar expressões do tipo sabugo enfiado no cu), mas preciso confessar que eu gosto do sabugo: faz parte da minha historia com a fotografia de aves. E sei que não sou a única: já ouvi outros colegas falando do prazer que é sentir o peso da câmera no colo. São objetos meio fetichistas (não vou falar fálicos, deixo pro seu julgamento), você pega na mão e dá aquela sensação de solidez, confiabilidade.

Um trambolho.

Mas quando as câmeras forem leves e potentes – como já se encaminham, vide as novas compactas, ou mesmo as novas lentes desenvolvidas graças a gente como o físico francês Augustin-Jean Fresnel (sei que a Canon tem isso há anos, mas não achei fácil a referência, então deixei pra lá), quando forem leves como compactas, vou sentir falta. Do peso do trambolhão no colo. Dos roxos no ombro. Das dores nos braços. De ter que sustentar a câmera na mão por mais de 2 minutos, às vezes em posições bem ruins, braços e mãos já tremendo enquanto fico me xingando “yoga-musculação-yoga-yoga-musculação” (falta de).

Sentirei saudade de chegar no fim de um dia em que você comeu tanta poeira e sol que seus olhos parecem de vampiro, você já tomou banho e jantou e queria só desmaiar na cama, mas mesmo assim pega uma toalha limpa, molha um pedaço na pia, espreme, e vai tirar a poeira da sua neguinha.

(sim, sou da Nikon. Tive uma 7D com uma 100-400 por um tempo, mas a D800 me levou de volta pra Nikon. Além de que, black is beautiful)

Muitas pessoas clicavam no blog porque depois acabei mesmo escrevendo um post pra explicar o que sei de sadomasoquismo (não muito, mas era melhor do que vários posts por aí sobre o assunto). E fiz isso porque achei engraçado alguém digitar “sadomasoquismo iniciantes”, e parar no post sobre as DSLRs. Não resisto à ideia de ajudar iniciantes…

O que as pessoas digitavam e vinham parar neste post:

Sadomasoquismo, sodamasoquismo (essa eu não consigo escrever sem rir um pouquinho, é muito boa. Eu devia ter uma camiseta com isso escrito), sadomasoquismo sexual, sexo mazoquismo, sadomassoquismo, sadomasoquismo tratamento, sadomasoquismo no homem, sadomasoquismo para iniciantes, sadomarzoquismo, sadomasokismo, saldo masoquismo, sado majosquismo e outras alegrias da língua portuguesa.

Hoje em dia não sei mais o que digitam porque o maldito Google criptografa a maioria das pesquisas. Mas pelos cliques, e pelo o que vi nos poucos termos que aparecem, incluindo “misantropia tratamento” “misantropia doença” “misantropia cura” “como paquerar um misantropo”, agora sou uma miniautoridade em misantropia. Uns dias atrás estava no topo da segunda página, caí por causa de páginas do Facebook, provavelmente caio mais. Mas sem problemas, é bom ver a misantropia cada vez mais divulgada, e talvez até aceita, vide o “como paquerar um misantropo”.

 

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