O ICMBIo cria regras que dificultam fotografar, mas pede doação de fotografias

Atualização 12/jul/15: o presidente do ICMBio, Cláudio Maretti, criou um post no Facebook dele para conversar sobre o assunto: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=662011367264759&id=100003677040576.  Se você ainda não foi ao post manifestar seu apoio à liberdade, ainda é tempo de provar que você tem alma, vá.

http://virtude-ag.com/liberdade/

O ICMBio é a autarquia que cuida dos parques nacionais brasileiros. Tanto o ICMBio como Fundação Florestal e outras instâncias têm portarias que dizem “fotografia amadora é permitida, fotografia comercial paga taxa”. Parece razoável? Sabe o que isso significa na prática? Seguranças que te abordam com base no tamanho da sua câmera. Juro. Se é pequena, tudo bem. Se é grande, nem pensar. Vai de “é proibido fotografar”, a “só com autorização assinada pelo diretor”, ou “quando terminarem, por favor, passem na administração”.

Quer fazer uma auto-publicação divulgando um parque que você adora, registra há anos, e quer vê-lo cada vez mais protegido do fantasma da especulação imobiliária ou das atividades extrativistas? Não pode. Não sem autorização da autarquia “dona” do parque – e que em geral se traduz em pagamentos de taxas. Porque eles acham que fotógrafo de natureza ganha horrores vendendo fotos. E não se importam com os custos de produção de uma foto.

Há funcionários do ICMBio que entendem como as portarias atuais estão erradas. E já vieram me falar “podem fotografar e divulgar sem receio, a gente apoia a fotografia, sabe como ela é importante para proteger e divulgar um local”. Mas infelizmente o que está por escrito é outra coisa. E se sai o funcionário esclarecido, e entra um que apenas cumpre o que está no papel, como é que faz?

A AFNatura passou anos brigando com o ICMBio, pedindo uma portaria mais razoável. O saudoso fotógrafo Luiz Cláudio Marigo (aquele do Chocolate Surpresa, que semeou em tantos brasileiros o encanto pela natureza), foi um grande defensor da liberdade de fotografia. Não adiantou. Quando divulgaram a nova portaria, de 2011, era totalmente diferente do que tinham negociado ao vivo.

O ICMBio cria as portarias que restringem e fazem com que os seguranças te impeçam de fotografar. Mas é o mesmo ICMBio que vem pedir doação de fotos pras publicações deles ou site.

Sei que não são as mesmas pessoas. Mas você acha que eu ia perder a oportunidade de falar “sim, conte com qualquer foto minha sempre. Mas por favor, divulgue entre seus colegas a ideia de que é preciso mudar a portaria”.

E me pergunto se as dezenas de colegas meus birdwatchers, que doam fotos pro ICMBio, também fazem essa cobrança… ou se apenas enviam as fotos.

A moça havia me pedido três fotos. Mandei. Não sei se ela se arrependeu de ter falado comigo, ou se entende como é importante mudar a portaria, e vai divulgar isso dentro do ICMBio…

Este é o email enviado:

“Qualquer fotografia minha está à disposição para a divulgação da natureza. As imagens seguem anexas. Você falou arquivo original, mas suponho que serve o jpg editado, que você não precisa de raw ou de jpg sem qualquer edição. Se precisar do arquivo de outra forma, me fale.

Imagino que você não tem poder de decisão sobre isso, mas queria saber se você conhece as restrições à fotografia dentro de parques nacionais, estaduais, municipais, etc. As discussões com a AFNatura, as declarações do então presidente do ICMBio, Rômulo Mello, e como tudo isso se traduz em várias situações em que as pessoas são proibidas de fotografar, com base no tamanho da câmera.

Tudo isso é muito triste, porque apesar do Brasil ser o país com a maior biodiversidade do planeta, não parece. Instituições como o ICMBio amarram as produções culturais, iniciativas individuais, e tiram dos fotógrafos, tanto profissionais como amadores, a vontade de fotografar em parques públicos.
Eu mesma fotografo cada vez menos a natureza brasileira. Tenho boas câmeras, tenho tempo, tenho experiência. Mas a abordagem “você tem autorização para fotografar?” desanima demais. E sei que a maioria dos meus colegas com câmeras grandes também coleciona histórias de abordagens e restrições.

Tenho certeza de que você é uma pessoa que entende a importância da divulgação. Como uma foto bonita chama a atenção, faz as pessoas se interessarem por um tema. Por isso lhe peço: se tiver qualquer oportunidade, explique para os seus colegas do ICMBio como as leis atuais prejudicam a própria natureza brasileira.

Peço desculpas pelo tom amargo da mensagem. Sempre que precisar de qualquer imagem minha ou do meu marido, Cristian Andrei, elas estão à disposição para a divulgação da natureza. Sei que você não é a mesma pessoa que escreveu a portaria de restrições, mas imagino que seja compreensível a tristeza que é receber pedidos de fotos da mesma instituição que cria regras que se traduzem em seguranças que nos proíbem de fotografar em parques públicos.

As fotos seguem anexas, junto com um arquivo que montei no início do ano, com os argumentos que explicam por que é errada a mentalidade de restringir em vez de incentivar a fotografia de natureza.
Há informações semelhantes neste link: http://virtude-ag.com/liberdade/

Liberdade-para-fotografar

 

Se quiser ler exemplos de várias situações em que os seguranças inibem e proíbem a fotografia em locais públicos, a mentalidade das autoridades que motiva as proibições, e por que as portarias estão erradas, o arquivo citado é este: