Não está fácil ser Homo sapiens ultimamente

Imagino que qualquer um, todos vocês, têm se pegado em momentos de um enorme desânimo. A gente tenta se enganar um pouco, dizer (como fiz outro dia), “deve ser efeito do almoço no francês, gordura demais, devo ter comido mais manteiga do que como a semana inteira”, mas meu pai não engoliu “não. É uma questão de padrão de energia e você sabe disso. Todo mundo anda pra baixo, não é fácil não se contaminar”.

Há técnicas. Por exemplo, a Penélope Garcia, certo? Que se cerca de coisas fofas, vídeos de gatinhos, músicas favoritas, um homem como o Derek Morgan. Pra rebater um pouco o peso de ter que investigar detalhes da vida de serial killers. Outra medida eficaz: cultivar bons hábitos. Dormir cedo, acordar cedo, exercícios aeróbicos, alimentação saudável, ter projetos pessoais, ter um hobby, ajudar as pessoas. Todas essas coisas também dão um bom up.

Mas… é realmente possível se isolar das notícias terríveis que aparecem, pro Brasil e pro mundo, uma depois da outra? Uma depois da outra?

Sou uma das pessoas que protesta sobre a tirania das atualidades, não acompanho atualidades e volta e meia estou comentando coisas que aconteceram meses ou anos atrás. E tenho o apoio do guruzinho, que concorda o quanto pode ser maligno acompanhar portais de notícias.

Eu poderia só não ler. Tenho pouco contato com pessoas, poderia só não ler. Mas vejo que não consigo. Passo os olhos pelas notícias, e pelo menos no momento escolhi focar numa questão. Vou continuar com as questões feministas. Há muitos outros temas, é claro, e todos eles totalmente válidos. Mas escolhemos nossas lutas, ou nos tornamos inúteis ou loucas.

Então, não por menosprezar a enorme catastrófica inominável cagada do que aconteceu em Mariana e suas repercussões, e a angústia de pensar que o poder das mineradoras vai falar mais alto como sempre e que não haverá uma virada na valorização do meio ambiente, não por não ter chorado de tristeza de pensar no que aconteceu em Paris, na dor das pessoas, e também no que isso significa pro mundo, pro aumento da Xenofobia, pro aumento do terrorismo. Não por menosprezar os infindáveis escândalos de corrupção. Não… só porque eu não consigo lidar com um monte de coisas ao mesmo tempo, vou escolher continuar com um só assunto pesado por enquanto. Ainda o feminismo.