Minhas heresias contra dogmas da vida moderna

Um amigo me chamou de herege num conversa no inbox, e depois se desculpou, explicou que tentou escrever “hehehe”, e o celular corrigiu para herege. Falei “imagine! Seu corretor está certo”, e foi por isso que comecei a pensar nas várias heresias que professo alegremente. Umas semanas atrás contei que medito e rezo com sinceridade, que acredito no bem e na ética, mas que não sei se Deus existe e, se existir, não posso acreditar que ele é uma criança birrenta de “ou louva meu nome ou tá fudido na minha mão”. Este post não é sobre religião.

Uma breve lista de algumas das minhas heresias:

1 – Não dar grande valor pra minha aparência física ou pra imagem que passo. É possível conquistar um homem incrível mesmo não sendo linda, gostosona, rica, genial, falante, espirituosa, divertida. Juro. É o meu caso. E não usei macumba nem hipnose. Entrei como secretária, o Cris era sócio-diretor. Quando começamos a namorar, muita gente não conseguia entender. Até quem fingia ser amiga, depois soube que falava “o Cristian é um louco por namorar a Claudia”. Mas foi assim. Dez anos já de casamento que parece ser pra vida toda.

2 – Saber que o deus das atualidades é falso. É possível viver bem sem precisar estar a par das atualidades. A não ser que seu trabalho exija, o fato é que estar a par de tudo que a mídia divulga só significa que você é escravo do que eles decidem que merece destaque, e que na sua vida há pouco espaço para você decidir sua própria agenda de temas que lhe importam.

3 – Ser capaz de desgrudar do celular. É possível viver sem ficar checando o celular centenas de vezes por dia! Aliás, em fins de semana ou férias deveria ser obrigatório. Limpeza e sanidade mental, sabe?

4 – Não usar o Facebook como substituto de carinho e atenção. É possível usar o Facebook sem precisar compartilhar tudo que você faz, sem precisar parecer linda feliz e exuberante em todos os posts, sem precisar usar como desabafo ou pedidos de carinho e atenção. Nossa necessidade de carinho deveria ser preenchida pela família e amigos, pelas pessoas que realmente se importam com você. Não precisa ser uma proximidade física, e sei que é possível conhecer alguém pelo Facebook e tornar-se amigo de verdade mesmo sem nunca ter visto a pessoa. Mas a postagem geral, com os comentários gerais, traz muita dispersão e ilusão. O carinho dos gentis colegas em geral age como uma muleta que te impede de buscar uma solução de verdade pros seus problemas.

Acreditar que o recheio importa muito mais do que a casquinha. De certa forma é um resumo de todas as heresias. Acredito e dou fé que é  possível ser feliz sem precisar ser cool, blasée, antenadíssima. É possível ser feliz sem ter viagens incríveis, dezenas de amantes indecentes, trabalhos inovadores para empresas de grande porte, jantares fabulosos, casa de revista de arquitetura, guarda-roupa de cinema, salão toda semana, mil tratamentos estéticos.

Como?

Conhecendo-se. Investindo em trabalhar no que você é por dentro muito mais do que na sua aparência ou na vida que você quer ostentar. Mais sobre autoconhecimento nos próximos posts.