Meu lado canibal

Sou uma pessoa discreta. No Facebook ou ao vivo, é raro alardear alguma coisa que eu fiz, só naquelas de compartilhar ou ostentar. Em geral tento publicar algo que tenha utilidade, ao vivo posso passar o encontro todo quase calada.

Ao mesmo tempo, tenho este blog aqui. Gafento que só, e mal comecei. Tento escrever com honestidade e franqueza, e falar de defeitos, medos, angústias, fraquezas, fúrias, porque gosto de escrever, porque acho que traz algum alento a outros que estão no whatthehell pro mundo, pras relações entre pessoas, pro trabalho. Todas as coisas gafentas que já escrevi ou que escrevei se justificam por receber uma resposta como esta.

Não perguntei se podia publicar, só tirei os nomes. Mas se você disser que pode, coloco os nomes e o crédito do autor. Você é uma porcaria, …, mas está na categoria das pessoas com quem eu jantaria ou faria viagens longas de carro.

OK, eu li. Só este: http://claudiakomesu.club/o-quanto-e-possivel-mudar-depois-dos-20/. Concordo. Acho que seremos para sempre quem fomos com 18 anos. Na essência. Talvez nesta idade a gente ainda seja criança o suficiente para sonhar e adulto o suficiente para começar a realizar algumas coisas, ganhar alguma independência (achar que, né).

Fase mágica. O mundo é o limite. Tudo pode, somos invencíveis, não há porre que nos derrube, distância que nos canse, pessoas que nos intimidem. Aí vem a idade e a gente entra no jogo. O foco muda, a gente abraça coisas, pessoas, a gente assume responsabilidades que muitas vezes não pedimos, mas nos são impostas.

Ontem estava voltando de Sumpaulo às 21h. Faz uns poucos anos que perdi o prazer de dirigir. Dirigir para mim agora é levar meu corpo para algum compromisso, cumprir prazo, chegar rápido (150km/h é média). Mas eu adorava dirigir, dirigia 900km num dia (o mundo era o limite). Coincidência com você me chamar hoje e mandar este link (se é que elas existem), ontem passei boa parte dos meus 200km (o trabalho era em Guaianases) pensando no porquê perdi o prazer de dirigir. Viajei, literalmente. Resultado: Nos últimos 80km, tirei o pé para 90km/h, desliguei o ar, abri as 4 janelas e o volume do som que geralmente ficava no 6 foi para 32. Lenny Kravitz arrebentando o funk na minha oreia. Aí passei a achar um monte de tonto os outros passando a 150km/h com os vidros fechados. Cheguei em casa muito cansado, como era de se esperar, mas leve. Me dei uma Heineken e fiquei descalço, sentado na soleira da porta de entrada de casa, na garagem, olhando a (pouca) chuva chegar. Coisa que nunca fiz em 9 anos morando naquela casa. Nem o …, nem a … entenderam nada. E acho que não entenderam até agora. E também não devo explicação, né? Acho que quanto mais velho o … ficar (ele me ajuda e lembrar das pequenas coisas boas), mais moleque eu vou ficar.