Meu corpo, minhas regras

Eu juro que não sabia desse vídeo quando escrevi sobre o aborto dois dias atrás.  E imagino que a Dilma não tinha lido meu blog quando condenou a xenofobia num discurso na rádio, dois dias depois de eu ter publicado um post sobre o assunto… esse tipo de coincidência me deixa bem pensativa. Me sinto um pau mandado do universo captando temas que várias outras pessoas também estão pensando.

Se eu gostei do vídeo?

Como forma não muito. Mas elogio e divulgo porque a gente precisa combater todo esse machismo e controle sobre a mulher.

As pessoas falam as coisas mais absurdas, as mais absurdas… como dizer “não queria ter filho, vagabunda, era só ter fechado as pernas”. Ou então dizer que é fácil ser a favor do aborto depois que você nasceu, que coisa mais idiota.

Já escrevi sobre isso e escrevo de novo: minha irmã, a filha mais velha, nasceu de um oops, como 70% das crianças nascidas em zona urbana. Minha mãe nunca falou disso comigo, mas sei que ela foi chamada de vergonha da família e talvez de outras coisas, sofreu e chorou muito, não tinha pra onde ir, mas foi acolhida pelos pais. Eu queria muito que ela tivesse tido a escolha de abortar, sem culpa, sem medo, sem risco de morrer. Eu não existiria, mas e daí? Minha mãe é um ser humano, não um hospedeiro. Toda mulher deveria se sentir dona do próprio corpo.