Longa é a arte

É uma das músicas queridas do guruzinho, e ele nem é chegado em MPB. Ele adora essa música pela melodia e por causa desses dois versos. Ars longa, vita brevis.

A Wikipedia conta que o provável sentido original da frase nem era tão poético, e sim prático, o problema de haver tanto a se aprender na medicina, e a vida ser tão curta. Mas não importa, como tanto do que os gregos e romanos fizeram, ficou pra eternidade e se transformou em algo mais belo ainda (como a beleza clean do mármore branco desgastado pelo tempo, quando na verdade as paredes eram cheias de pinturas bem coloridas, que associamos à moderna cafonice italiana, mas que já era antiga).

Como viver nos dias de hoje sem a arte? A vida afastada das musas cobra um preço alto, quem abre mão de desenvolver uma arte própria ou no mínimo viver o mais próximo possível de alguma das artes perde um pedaço grande da alma.

Você sabe. Você vê o tempo todo e o contingente aumenta dia a dia. Gente que decidiu ou não se importou de trocar a arte pela hipnose coletiva de acreditar que o que a mídia diz é importante, acreditar que as redes sociais importam mais do que importam, que ser popular é importante.

A arte não é sinônimo de salvação. E também é possível ser um ótimo artista e mesmo assim ser um vendido. Mas na maioria das vezes, as musas te ajudam a não cair na armadilha das marionetes, elas te ajudam a se sintonizar num outro canal.

É claro que isso te deixa com uma imagem de imbecil, ou no mínimo Rubinho (Barrichello), sempre dando parabéns atrasado ou comentando assuntos que já passaram há semanas, meses, ou anos, mas de repente te interessaram naquele momento. Assim sou eu no grupo de primos do WhatsApp (dando parabéns atrasado. Os assuntos quase não comento, só por isso não estou sempre fora de sintonia). E no blog, em geral não estou no timing das atualidades.

O guruzinho sempre me faz vaticínios.  Um bom 2018. Ainda mais se eu conseguir me manter afastada do front, um conselho que a Nadiajda tinha me dado também.

Eu sou um bom soldado. Às vezes até mesmo um bom general. Mas a guerra te consome. Inteiramente. Todas as vezes que entro numa batalha do birdwatching, aquilo me consome de um jeito que sobra tão pouco tempo pras outras coisas.

Dois anos atrás, quando eu estava pra desistir do birdwatching e pesquisando sobre máquinas de bordado, acabei comprando uma impressora Silhouette. Ela é maravilhosa. E eu não fiz quase nada com ela.

Falei até logo pra comunidade passarinheira no final de novembro. Vai fazer dois meses que não apareço. Será que consigo continuar assim?

Todo mundo precisa de arte. Não. Eu sei que não é todo mundo que precisa de arte, que tem muita gente pra quem isso não faz a menor diferença. Outros valores. Mas eu preciso. Eu considero um desperdício da porra não ter a natureza, especialmente a natureza brasileira, mais retratada em roupas, bolsa, estampas, louças, papéis de parede, grafites, livros, desenhos animados, histórias em quadrinho, seriados.

A natureza é maravilhosa por inúmeros motivos, e esteticamente é maravilhosa de fazer o coração bater acelerado.  Mas não é marketeada como merecia, e claro que os orcs têm um bom crédito por isso. Longe dos olhos, longe do coração. É fácil destruir o que ninguém conhece.

Não consigo prometer nada. Porque sou fraca, facilmente cooptada. Mas hoje o que eu penso é que nesse vazio de não ter que lutar todo dia no front, nasce esse espaço pra tentar me aproximar da arte que pode divulgar a natureza. Voltei a fazer uns rabiscos, testar pincéis do Sketchbook. E que eu deveria desenhar todos os dias, várias horas por dia. Quem sabe um post me ajuda.

E você. O que tem feito pela sua arte? Como anda sua relação com as musas? Qualquer que seja ela, basta ser aquilo que você pode contemplar com orgulho de saber que sua dedicação, genialidade, transpiração tornam aquela obra cada dia mais esmerilhada. Algo seu. Que não precisa ter nenhuma função (eu sou de capricórnio, talvez tenha nascido com a incapacidade de fazer algo sem função), mas sei que a arte não precisa de função ou objetivo.

Longa é a arte.