James Bond era um ornitólogo

James Bond. Ornitólogo norte-americano nascido na Filadélfia. Conheceu a Bolívia, Venezuela, Brasil, mas decidiu se especializar nas aves do Caribe. Dizem que decidiu-se pela profissão depois de uma viagem com o pai para o delta de Orinoco, quando James tinha 11 anos.

James Bond, o original
James Bond, o original

Ah, e capricorniano. Mais informações sobre a vida de James neste obituário (que tem uma foto dele bem mais acabado).

Ian Fleming era birdwatcher, como quase todo inglês ou norte-americano de determinada classe social. O primeiro livro da série foi Cassino Royale, escrito em um ou dois meses (depende da fonte) em 1952, na Jamaica, onde Ian tinha uma casa de veraneio.

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Dizem que Fleming procurava um nome o mais comum possível, e que escreveu para a esposa de Bond: “It struck me that this brief, unromantic, Anglo-Saxon and yet very masculine name was just what I needed, and so a second James Bond was born.”. E James Bond, o ornitologista, ganhou um exemplar autografado do Com 007 só se vive duas vezes: “To the real James Bond, from the thief of his identity”.

http://en.wikipedia.org/wiki/Inspirations_for_James_Bond

http://en.wikipedia.org/wiki/James_Bond_(ornithologist)

E porque estava pesquisando essas informações também topei com as referências ao sadomasoquismo de Ian Fleming e da esposa Ann O’Neill. Ian Fleming morreu aos 56, de ataque cardíaco. Fumava e bebia tanto ou mais que seus personagens, e dizia frases como “não vou desperdiçar meus dias tentando prolongá-los”. O casal tinha um filho, Caspar, com 12 anos quando Ian Fleming morreu, e que depois morreu aos 23 de overdose.

Tem este artigo do Londo Review of Books, aparentemente escrito por alguém sem muita vida sexual, mas com alguns parágrafos interessantes:

“A key fact in Ian and Ann’s relationship is that they were both into spanking. This, perhaps, is linked to the boredom, and to a corresponding need to play sexual games with identity and roles. The spanking wouldn’t matter to anyone now if it didn’t show up in the Bond books, but of course it does.”

“The boredom was partly a generational thing. Evelyn Waugh, b. 1903; Graham Greene, b. 1904; Cyril Connolly, b. 1903; Ian Fleming, b. 1908. These Englishmen came from a similar class background, and had writing careers which, from the outside at least, seemed characterised by brilliant success. They also had parallel lives as spies, soldiers, shaggers and men of action (or in Connolly’s case, of inaction so spectacular that it, too, seems like a form of action). But all of them suffered from a desperate, crippling, lifelong fear of boredom. Greene’s boredom was perhaps the best publicised, what with the Russian roulette and all that. In a sense, it was boredom that led him to Catholicism, since religion offered him the opportunity to regard every moment as a soul-imperilling drama (…)”

Um brinde de dry martini a Ian Fleming, James Bond, Sean Connery e Daniel Craig.