Homo sapiens, que espécie mal sucedida

Conversando com o meu semideus das frivolidades internéticas e outros assuntos diversos, falei do Edward O. Wilson e ele me passou este link: http://www.ted.com/talks/matt_ridley_when_ideas_have_sex

Este link, e acho que um artigo da Piauí sobre a polêmica dos artigos do Wilson, me fazem entender por que tanta gente gritou, protestou, diz que essas ideias da sociobiologia dão munição pra ideias sexistas ou de sociedades de castas.

Num dos momentos do Ted Talk, Matt Ridley comenta que uma das hipóteses sobre a extinção dos neandertais é que não há indícios de grande evolução de habilidades e relacionamentos sociais, inclusive parecia não haver divisão de trabalho entre homens e mulheres.

Posso imaginar que algumas pessoas usem essa ideia para dar munição ao sexismo. Mas isso é errado, gente. Somos os dominantes, mas temos feito muita merda, como defender que o caminho seguido até agora foi o certo?

Pra usar a expressão do Wilson, somos o abacaxi da biodiversidade. Dominantes com poder de, e caminhando para, dizimar muitas outras espécies. Já temos poder para dizimar muitas vezes a maioria das formas de vida vistosas (sem entrar nas discussões de fungos e bactérias), e mesmo que não aconteça a hecatombe nuclear, a humanidade segue um trilho que não se sustentará por muito tempo. Ou melhor dizendo, que só será sustentável para uma minoria bem rica, mas será uma tragédia para os pobres ou menos ricos, e para muitas espécies que se extinguirão no processo.

A Terra tem 4,6 bilhões de anos. O Homo sapiens existe há cerca de 195 mil anos, e já aprontou muito. Os dinossauros, por exemplo, dominaram a terra por 140 milhões de anos. Já nóis temos uma previsão de que daqui a meros 35 anos, em 2050, estaremos numa situação bem crítica na questão de acesso a água potável para a maior parte da população mundial. Sem falar em explosão de malária, dengue, chikungunya, ebola…

Outro número da depressão: a WWF diz que entre 1970 e 2010, a quantidade de outros vertebrados (fora nóis, o abacaxi da biodiversidade), caiu pela metade. Parece papo alarmista? Converse com um biólogo marinho sobre as grandes áreas mortas no mar. Ou pegue um mergulhador qualquer brasileiro, que também poderá lhe falar como Fernando de Noronha, apesar de ainda espetacular, é muito diferente do que há 10 anos. E eu vi imagens de mapas que mostram o desmatamento da Mata Atlântica desde a década de 1970. É assustador como o verdinho sumiu, num período tão recente, mesmo  com o conhecimento sobre a importância da floresta para a vida dos seres humanos já sendo algo tão amplamente divulgado. E a Amazônia também, continua no caminho da destruição.

Não tenho nenhuma dúvida de que a especialização de tarefas foi algo fundamental para o desenvolvimento da espécie humana, para nos tornar a espécie dominante. Mas a partir daí, usar essa ideia da sociobiologia para defender ideias sexistas? Caramba! Quem poderia dizer que demos certo, que somos uma espécie de sucesso?

A expectativa é de continuar dizimando muitas outras espécies, e de ter uma qualidade de vida péssima pra quem não for muito rico num período de menos de 100 anos, com uma situação bem complicada pra 70% do planeta em 35 anos.

A socialização e a especialização nos tornaram a espécie dominante.

Infelizmente não nos tornaram uma espécie sábia.