Homens têm medo de que as mulheres riam deles…

Margaret_Atwood

“HOMEM: Que frescura. Qual o seu problema, moça? Só estava tentando ajudar uma mulher bonita. Que paranóia é essa?

MULHER: Você tem razão. Eu não deveria desconfiar. Estou exagerando. Quer dizer, só porque um homem insiste numa abordagem que eu não solicitei, numa garagem subterrânea, numa sociedade em que o número de crimes contra as mulheres cresce quatro vezes mais rápido do que o índice de crimes em geral, e três entre quatro mulheres sofrem um crime violento; e só porque eu mesma já ouvi histórias de crimes horrendos contadas por todas as minhas amigas; e só perque tenho que pensar onde estaciono, onde ando, com quem falo, com quem saio sem saber se alguém vai me assassinar, estuprar ou quase me matar de susto; e só porque várias vezes por semana alguém faz uma observação inoportuna, olha para mim, me assedia, me segue, ou emparelha o carro com o meu; e só porque tenho que lidar com o corretor do meu apartamento, que me dá arrepios nem sei bem por quê, mas pela maneira como me olha, se pudesse, alguma coisa ele faria e íamos os dois parar nas manchetes de jornal; e só porque os homens não sabem nada destas questões de vida-ou-morte e eu fico parecendo uma tola por ser prudente, ainda que viva no centro de um redemoinho de possíveis riscos, isso não significa que uma mulher deva desconfiar de um estranho que ignora um “não “.”

Do livro As Virtudes do Medo, de Gavin De Becker, copiado de um belo post de Alessandro Martins, no http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/o-transgressor/homens-ignorados/

 

Morte de mulheres negras dispara com falta de amparo na periferia

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/06/politica/1446816654_549295.html

“Shirley se negou, e foi morta com sete facadas na frente de seus dois filhos. Ela foi uma das 2.875 mulheres negras mortas naquele ano. De acordo com o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais e lançado nesta segunda-feira, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em 10 anos (de 2003 a 2013), enquanto que o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período.”

 

http://noticias.uol.com.br/album/2015/11/09/veja-as-10-capitais-mais-violentas-para-mulheres-no-brasil.htm

[Vitória – ES]  “Segundo o estudo, a capital capixaba registrou uma taxa de 11,8 homicídios de mulheres para cada 100 mil habitantes. A taxa é quase seis vezes maior que a média mundial, que é de 2/100 mil habitantes”

 

http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2012/MapaViolencia2012_atual_mulheres.pdf

“Outra informação registrada na Declaração de Óbito é o local do incidente que originou as lesões que levaram à morte da vítima4. Entre os homens, só 14,3% dos incidentes aconteceram na residência ou habitação. Já entre as mulheres, essa proporção eleva-se para 41%”.

 

Perdi o link, mas estava assistindo a uma entrevista que a Carta Capital fez durante uma das manifestações na Paulista contra o nefasto Eduardo Cunha, e uma moça falou algo simples, doído e verdadeiro “quando você está andando sozinha à noite, e ouve passos atrás de você, é um alívio olhar pra traz e ver que é uma mulher e não um homem”.

É assim que a gente vive. No Brasil e em muitos outros países. E ainda tem um bando de filhos da puta, tanto homens como mulheres, que dizem que o feminismo não tem razão de ser.