Goya, nosso atual favorito na Vila Madalena

 

[Escrevi ontem, estava esperando o Cris chegar pra checar uns valores, fomos atropelados por outros assuntos, mas vou postar assim mesmo porque vale a indicação de lugar]

Na Wisard, 88, onde ficava o finado Rothko, nosso favorito de hamburguers na Vila Madalena. É o mesmo dono, mas decidiram excluir os ótimos hambúrgueres e investir num cardápio de pratos pequenos, que eles chamam de bocados. Como se fossem umas tapas um pouco maiores, com preços entre R$ 19 a uns 46… mas na média, entre 25 e 27.

Hoje foi a primeira vez que fomos almoçar lá, e eu adorei. Já tínhamos ido jantar umas duas ou três vezes. Gostamos, mas com algumas ressalvas, alguns pratos melhores do que outros. Mas o prato do dia hoje estava excelente: alheira com um vinagrete de tomates-cereja, cebola roxa, azeitonas pretas, arroz, couve-manteiga no ponto, não-cozida demais, um ovo com gema bem mole, e uma batata ao murro deliciosa, que me vi obrigada a perguntar como foi feita.

Delicioso: alheira, batata ao murro, couve no ponto, ovo com gema mole
Delicioso: alheira, batata ao murro, couve no ponto, ovo com gema mole

Nosso simpático atendente – não era o garçom, acho que ele é um sócio ou o dono —  gente cabeluda, barbuda, de óculos, tatuados – como se fossem saídos de filmes americanos, ele veio trazer a conta, perguntar se estava tudo bem. Elogiei, e perguntei como eles conseguiam a casquinha crocante na batata ao murro. Ele disse que não sabia, e que era um segredo bem guardado… e que poderia perguntar ao chef, mas que teria que nos matar depois. Falei que tudo bem. O Cris disse algo sobre a gente ter que ir embora rápido, ele falou “mas você acha que é alguém daqui? Temos gente contratada lá fora”. Como é bom lidar com gente com senso de humor.

Nosso barbudo foi até à cozinha, e voltou com o próprio chef (um outro barbudo tatuado, de boné), que nos explicou como fazer: cozinhe a batata com casca na água, até ficar bem macia. Tire da água, dê uma amassada (o murro) regue com bastante azeite, um pouco de sal, um pouco de alho, e coloque no forno beeem quente. Preciso tentar fazer isso em casa, foi uma das melhores batatas que já comi. O prato inteiro estava muito bom, tudo combinando, e a batata era mesmo especial. Totalmente satisfatório.

Quando levantamos pra ir embora, o barbudo 1 nos falou algo sobre “vá pela esquina de cima, não a de baixo…”, mas daí eu não sabia se era a dica pra gente escapar dos assassinos, ou pra cair numa emboscada. De qualquer forma saímos distraídos, e fomos pra cima, porque em geral estacionamos o carro por lá, e de repente lembramos que tínhamos deixado o carro no estacionamento da Harmonia, e tivemos que fazer uma movimentação tola… típica de quem precisa despistar assassinos.

Os pratos estão sempre mudando, mas o que podemos dizer é: tudo é feito bem no capricho. Alguns pratos têm mais sabor do que outros, mas não dá pra negar que foram feitos com todo o carinho. Ou seja, tem que ir com tempo, não é linha de produção, imagino que o chef cuida pessoalmente de muita coisa.

Já comemos a abóbora assada com creme azedo – boa, mas como não somos vegetarianos, depois pensamos que o certo teria sido pedir em dupla com a barriga de porco (muito boa), aí sim faria uma ótima combinação. Pastel de rabada é muito bom, massa bem crocante. O bolinho de pequi é simpático, mas acho que eu queria um sabor mais intenso. Ovo perfeito muito bom, apesar de não ser o ovo perfeito mais bonito que já comi. Uma vez pegamos algo como uma fraldinha… mas não estava muito tchans. Frango com quiabo muito bom. Tábua de linguiças artesanais também bem boa. Eles têm ótimas cervejas. Da última vez pegamos várias Juan Caloto.

O ambiente é como você vê na foto: sensação de Estados Unidos, trilha sonora ótima, rock clássico, country, Nina Simone, mas tudo num volume agradável. O exaustor às vezes não é muito bom, e o cheiro de comida fica no saguão, mas não vejo problema. Eles têm um vitral lindo, com garças Art Decô, comprado num desses lugares que vende móveis de madeira de demolição.

As ressalvas negativas são:

– Não tem vallet. Se não conseguir estacionar na rua, tem que parar no estacionamento na Harmonia, aquele em frente ao Baccio di Latte.

– Eles não são bons em sobremesas. Já comemos o pudim (doce e denso demais), o papo-de-anjo (nada inspirador), os bolinhos de chuva (também sem nada pra entusiasmar). Na próxima vez que formos lá, provavelmente não pediremos sobremesa, e se precisarmos de doce, vamos pra Baccio.

– Os pratos demoram um pouco pra chegar. Nosso almoço levou 1h30. Mas vale a pena. Talvez hoje seja o restaurante da Vila Madalena que mais estamos botando fé.

Nunca está lotado, até queríamos que tivesse mais gente pra não ter risco de fecharem. É um lugar que vamos com a certeza de bom atendimento, simpatia, ótima trilha sonora, pratos executados com capricho e cardápio sempre com novidades.

Ps: não sei quanto era o prato do dia, mas nossa conta ficou em R$ 100 e pouco. Achei um bom valor considerando que além do prato do dia + saladinha, pedimos à parte entrada de bolinhos de arroz e pequi (R$ 16), duas sobremesas, água com gás e um ale de amora que custava R$ 7. Ficou uns R$ 50 e pouco por pessoa. Sem sobremesa e sem ale, menos de R$ 38.

http://www1.folha.uol.com.br/comida/2015/02/1588964-goya-aposta-em-minipratos-ao-estilo-espanhol-feitos-com-esmero.shtml

http://vejasp.abril.com.br/estabelecimento/goya/