Fotografia de natureza: por que incentivar e por que inibir

Por que incentivar a fotografia de natureza em parques e outras áreas públicas

1 – Serve como prova de situação ambiental, riqueza de fauna e de flora

2 – A fotografia circula em redes sociais e gera interesse e mais visitação

3 – O aumento da circulação de pessoas inibe ação de palmiteiros e caçadores, que evitam contato com visitantes que poderiam denunciar suas atividades

4 – A fotografia pode servir como denúncia de um desmatamento, extração ilegal, depósito de lixo ou outras ações ilegais num parque

5 – O registro sistemático e consistente pode ser usado como prova da importância do local e evitar sua destruição

6 – Quanto mais fotos e comentários sobre um local, maior sua visibilidade e importância. A circulação de fotos aumenta a percepção de importância de um local.

 

Por que inibir a fotografia de natureza em parques e outras áreas públicas

1 – Para manter a visitação baixa

2 – Para não haver provas de riqueza ambiental ou de atividades suspeitas ou ilegais

3 – Para facilitar transformar a área num empreendimento imobiliário, de mineradora ou madeireira, hidrelétricas que destroem a Amazônia. Se poucas pessoas sabem da existência do local e se há poucas imagens sobre a região, é mais fácil agir. Prova:

http://www.oeco.org.br/noticias/28238-brasil-perdeu-5-2-milhoes-de-hectares-de-unidades-de-conservacao- Em três décadas, as Unidades de Conservação perderam 5,4 milhões de hectares, algo maior do que o Estado do Rio de Janeiro. 74% dessas alterações ocorreram entre 2008 e 2012, isso de áreas que teoricamente estavam protegidas. #soquenao.

 

Por que o ICMBio, Fundação Florestal, e outras instâncias inibem em vez de incentivar a fotografia dos parques públicos? Se fotografia divulga, por que os parques dificultam?

É usado o argumento de que fotógrafo de natureza ganha muito dinheiro e que é preciso repartir esses ganhos (mas nada de dividir os custos de produção de boas fotos). Ou de que é preciso ter controle total sobre qualquer coisa que um cidadão queira publicar ou produzir, que faça referência ao parque ou que mostre o parque. Porque senão haverá muitas propagandas de motel usando alguma paisagem icônica de um parque. Ou, caso seja um livro sobre um parque, como todos sabem livros dão muito dinheiro no Brasil, e é justo que o parque receba uma parte dos lucros fabulosos que o fotógrafo teria.

Qualquer um que tenha o mínimo de conhecimento sobre fotografia, mercado editorial, empreendedorismo no Brasil, sabe como esses argumentos são absurdos. Qualquer pessoa com um mínimo de conexão com a realidade entende a explosão das câmeras digitais, a quantidade de fotos postadas na internet todos os meses, as redes sociais, a disputa pela atenção e tempo das pessoas, os bancos de imagem gratuitos ou muito baratos, como é difícil e raro ganhar dinheiro com venda de uma foto de natureza. A Canon e a Nikon não se interessam pelos fotógrafos brasileiros de natureza, não apoiam o Avistar. Preferem investir no mercado de fotografia de casamento, isso sim, algo que sempre renderá.

Quando os gestores dos parques não puderem mais usar o argumento de que fotógrafo de natureza ganha muito dinheiro, porque a cada dia que passa fica mais surreal eles defenderem que realmente acreditam nisso, o que eles vão fazer?

Espero que estejamos próximos do dia que o ICMBio, Fundação Florestal, instituições municipais vão reconhecer que fotógrafos de natureza são aliados da preservação, e não infratores e pilantras por princípio.

Liberdade-para-fotografar