Fotografia de natureza na neve

“Um pernilongo!”. E era um pernilongo morto, na beirada da janela. Um dos únicos insetos que eu vi na viagem toda. Quase peguei minha câmera pra fotografar, mas depois deixei pra lá.

Essa foi uma viagem com poucas fotos. Estávamos com o Daniel, então o foco é família, não fotografia. Não fizemos nenhum passeio pra fotografar, o que conseguimos foi da janela de casa, nos arredores das casas onde ficamos, nas pistas de esqui, ou fotos rápidas do cenário do caminho pro restaurante ou do campo onde paramos pra brincar.

Era tudo muito estranho porque umas semanas antes eu estava em Peruíbe, e antes tinha ido pra Tapiraí e pra Campos do Jordão. A Mata Atlântica no verão é um parque de diversões, você encontra o que fotografar o tempo todo (se você gosta de insetos e aracnídeos).

Mas pequenas cidadezinhas da Alemanha e Áustria no inverno? Que vazio.

Sair pra caminhar de manhã, encontrar terrenos baldios, inspecionar os matinhos e não encontrar nenhum besouro, nenhuma aranha. Nem formiga.

Aves sempre tem. Você pode contar que alguma casa terá comedouros e nos arredores você verá Eurasian Blackbird, Common Chaffinch, Great Tit, Eurasian Blue Tit, pardal e um primo, o Eurasian Tree Sparrow, pombos domésticos, corvos.

Além disso, com menos abundância vi Eurasian Bullfinch, Coal Tit, Marsh Tit, Eurasian Kestrel, Mallard, Great Spotted Woodpecker, Eurasina Magpie, Common Buzzard. Vi um trush pintatinho, talvez o Mistle, uma Purple Heron e um White-throated Dipper (este foi lifer).

Uma frutinha vermelha, talvez Rowan, um inseto (o Daniel que trouxe), alguns líquens. Cenários muito bonitos. Mas nenhum mamífero silvestre, mesmo com todas as minha mentalizações de “uma raposinha, uma raposinha”.

Fotografar em baixas temperaturas exige alguns cuidados a mais. Você tem que estar preparado pra bateria da câmera acabar bem rápido. Como fotografei pouco não tive problemas, mas eles recomendam você sempre andar com baterias reservas no bolso da calça ou do casaco, em algum lugar perto da sua pele, pra tentar mantê-las mais quentinhas. Também dizem pra você evitar ao máximo entrar com sua câmera numa sala aquecida, porque isso pode causar condensação. Daí quando você sai pro frio de neve, pode ter gelo dentro da sua câmera, a ponto de ter gente que não conseguia usar o zoom porque o gelo impedia. Se você não puder evitar de entrar com a câmera em algum ambiente quente, pra colocá-la dentro de um saco, tirar o máximo possível de ar e vedar.

E é claro, você tem que tomar cuidados extras com sua segurança e bem estar. Mais fácil se perder, ou ter problemas com o carro, escorregar. Mesmo um fotógrafo experiente como o Vincent Munier teve o problema de passar tempo demais encantando com uma coruja das neves, e quando voltou pro alojamento falaram “seu nariz está preto”, ele teve que ir pro hospital e perdeu um pedacinho do nariz, necrosado pelo frio (não sei dizer qual pedaço, as fotos dele não mostram, deve ter sido um pedaço bem pequeno e talvez uma plástica resolveu, mas deu pra entender).

A neve é linda.

Mas pra fotografia de aves você precisa de algo como um comedouro bem movimentado, ou aqueles lagos que reúnem milhares de aves aquáticas. Pra insetos, aranhas, flores, cobras, sapos acho que é quase zero. Pra paisagem há muitas oportunidades.