Festival da Amora. Sabiá-una, trinca-ferro, saíra-ferrugem, figuinha-de-rabo-castanho. Parque do Ibirapuera, 13/set/16

Hoje de manhã no Viveiro Manequinho Lopes. A Ju (Juliana Diniz) tinha me falado do sabiá-una do Ibirapuera, mas não achava que ia vê-lo. Foi só daqueles dias estranhos em que você vai dormir às 3h30 e acorda sem despertador às 5h40, percebe que está mesmo acordada e resolve aproveitar.

Esse encontro com o sabiá-una vou guardar com carinho. É uma ave relativamente comum em litoral e outras áreas de Mata Atlântica mais preservadas, mas nunca imaginei vê-lo numa área urbana de São Paulo. Comecei a ouvir um canto diferente, não era um sabiá-laranjeira, era uma voz que se sobressaía, mais cristalina e alta. Olhei pra árvore de onde vinha o som, e vi que tinha mais uma pessoa prestando atenção no show. Um dos funcionários do parque, acho que ele não conseguiu localizar onde estava a ave, mas inclinava o corpo daquele jeito de quem está tentando expandir a audição, e parecia maravilhado e cismado, como se perguntasse “quem é esse bicho que canta tão bonito?” Consegui ver onde o bichinho estava pousado, fotografei, mas quando olhei em volta o homem não estava mais lá, uma pena. Eu teria vencido meu lado ermitão e oferecido pra mostrar na câmera, contar que era um sabiá-una.

Além do una também tinha os outros: o sabiá-poca, o barranco, o do campo, muitos laranjeiras. Anu-preto, pombão, pomba-de-bando, rolinha-roxa, alma-de-gato, urubu-de-cabeça-preta, corruíra, tucano-de-bico-verde, pica-pau-de-cabeça-amarela (é o mais comum no parque, mas desta vez só vi, não fotografei). Houve um momento em que apareceram uns pequenos: figuinha-de-rabo-castanho e um amarelinho que tenho quase certeza de ser a fêmea da saíra-ferrugem. Também não esperava ver o trinca-ferro-verdadeiro, um casal. Estavam comendo amoras, junto com um bandinho de anus-pretos. Fora do viveiro: socozinho, mergulhão-caçador, frango-d´água-comum, biguá. Vi papagaios-verdadeiros voando longe, e desta vez não vi o gavião-miúdo. Na hora de ir embora, uma visão inusitada: um gambá.

Se você quer fotografar aves no Ibirapuera, a dica é entrar pela Portaria 7, uma das que ficam na República do Líbano. Você verá aquela área onde o pessoal fica fazendo atividades físicas, e logo à direita estará a entrada do Viveiro. Eu já zanzei pelo resto do parque, você sempre vê aves, mas o Viveiro parece concentrar, talvez pela diversidade da vegetação, então costumo ficar lá, andando de um lado para o outro. A região perto dos pés de figo sempre é boa. Se o seu objetivo é ver o sabiá-una, ouça o canto dele no Wikiaves e se disponha a passar um tempo no Viveiro. Com certeza logo você ouvirá a melodia e será fácil localizá-lo.

Topei com vários seguranças e nenhum veio me perguntar se eu tinha autorização para fotografar, parece que agora está totalmente resolvido por lá. Vou com uma certa frequência ao Ibirapuera e sempre me sinto segura, mas só ando de dia, me mantenho nas trilhas onde sempre tem gente passando ou em lugares bem próximos das vias principais.