Eu sou maravilhosa

Somos a história que contamos pra nós mesmos. Nossos pensamentos criam nossa realidade, sem precisar acreditar em energia ou vibrações, a neurociência te explica como o cérebro usa suas experiências prévias e suas crenças para que, de forma instantânea, o que você está vendo faça sentido. É tão instantâneo que você acredita ser o real, mas não é o real, é apenas o seu ponto de vista.

Você pode pensar que o mundo é real, sólido e indiscutível, mas não é. O império Asteca caiu facilmente porque seus governantes acreditaram que Cortez era um enviado dos deuses, uma benção prevista no calendário astrológico. Eles nunca tinham visto europeus. Quando viram, usaram seu conhecimento prévio e crenças para decidir como interpretá-los. Erraram. Morreram de forma miserável.

Sendo um pouco menos dramática, o fato é simples: todo mundo está o tempo todo olhando e interagido com o mundo tendo como grande influência suas experiências prévias, suas crenças, sua cultura no geral.

É por isso que é tão importante você alimentar seus pensamentos do quanto você é incrível, maravilhosa, linda, genial. Ou incrível, maravilhoso, lindo, genial.

Circule pela tag Como ser mais feliz, você verá que esse tema é recorrente. Ele é tão importante, mas vejo como é raro as pessoas atingirem esse estágio mental, o quanto o mais comum é as pessoas ficarem presas em medo de ser arrogante, medo de não ser boa o suficiente, medo de sofrer, medo de ser julgada, medo de rirem dele (um dos medos mais comuns dos homens), medo de decepcionar as pessoas, medo de ser chata, medos e medos…

O medo cria uma carapaça, uma armadura ao seu redor. Te embota, te impede de viver. Quanto mais receoso você estiver, mais reticente, mais vacilão, mais conservador, significa que maior é sua armadura e mais frágil o ser que a habita.

Leitores queridos. Você tem que olhar no espelho e saber que você é foda. Você tem que olhar no espelho e se achar lindo ou linda, uma pessoa incrível, genial, que já visitou vários infernos e voltou, que tem um oceano dentro de si, que é capaz de alcançar qualquer objetivo. Você tem que olhar no espelho e saber quem você é, de onde você veio, como você chegou onde está, do que você gosta, aonde você quer chegar, e tudo isso tem que ser uma história bonita. Sem precisar ir pro devaneio ou mentira, usando apenas a inteligência e a arte, crie a história da sua vida e do que você quer usando a luz bonita, os enquadramentos bem feitos, e você terá muito orgulho de quem você é. E ao ter orgulho de você, você passa a agir de outro jeito. Aparecem outras pessoas, outras oportunidades, sua história muda.

Eu juro. Eu sou a prova viva. Cresci numa cidade do interior de São Paulo, com muitos amigos frequentando minha casa, mas triste por ter esses olhos puxados, por não ser alta, magra, loira ou no mínimo com uma cara normal, prendendo a respiração e ficando tensa sempre que ia passar por um grupo ou por homens, esperando o momento em que iam tirar sarro de mim ou fazer aqueles olhares ou comentários nojetos. Cresci vendo uma grande diferença entre as pessoas descoladas, ricas, bonitas, divertidas ————— e eu. Cresci sem nunca conseguir interpretar quando um garoto queria ficar comigo, porque eu achava que só podia ser amizade, ninguém nunca poderia querer ficar com alguém como eu.

Vivi 20 anos assim.

Hoje tenho 40. Depois dos 18 fui mudando meus pensamentos e minhas crenças, minha visão sobre mim. Fiz isso a tempo de poder viver os 20 e poucos saindo com vários caras, experimentando, aumentando minha segurança sobre mim não porque eu me desse bem todas as vezes, mas só porque eu estava vivendo. Se você não vive, é fácil alimentar muita fantasia e insegurança. Viver, experimentar, faz com que você adquira muito mais amplitude, mais tranquilidade, mais capacidade de processar as coisas, inclusive o mal estar, a rejeição, as críticas.

Já me envolvi em milhares de discussões, saias justas, brigas.

Esse papinho de que a gente tem que evitar o conflito a qualquer custo é mentira, isso cria gente marica ou defensiva-agressiva. Todo mundo tem que aprender a conversar sobre assuntos difíceis, eventualmente brigar e se sentir mal — e depois sair do outro lado, como uma pessoa melhor. Mas quando você evita o conflito, ou faz de conta que nem é tão importante, você deixa de conhecer mais sobre você e sobre o outro, você perde a chance de se aproximar do outro e de se tornar alguém melhor.

Eu sou maravilhosa. Sou uma pessoa incrível, com inúmeras qualidades e que adora mesmo aquilo que as pessoas acham que é defeito. Meu grupo do primeiro grau, mesmo meus amigos mais próximos, acharam errado eu ter saído do grupo grande porque não aceitei gente promovendo o fascismo e os ignorantes rindo e achando tudo legal. Me falaram que eu devia procurar formas de controlar essa indignação, essa raiva. Não quero. Gosto e tenho orgulho dos momentos em que não sou uma mulher, sou uma tempestade com pele. Eu teria uma lista enorme de coisas boas pra falar de mim, e uma outra que eu posso pensar mas não posso escrever porque é indiscreto ou traz problema pros vivos.

E veja. Repare no que escrevo, ou quem me conhece ao vivo sabe: eu ser foda, maravilhosa, linda, incrível não faz com que em nenhum momento eu humilhe, trate mal, dê uma de gostosa ou arrogante, pelo contrário. Me ajuda a ter carinho e compreensão pelas pessoas que têm um mínimo de busca, faz com que eu saiba que eu sou foda e que qualquer um pode ser foda, melhor do que isso, eu sou foda em alguns aspectos e medíocre em outros, e outras pessoas são foda em coisas que nunca serei, mas ruins em outros que eu sou boa, e tudo bem, isso não me torna melhor ou pior. Somos todos peregrinos na bolota azul, querendo viver uma vida boa.

A gente tem que cultivar os pensamentos bons sobre quem somos. Criar nossas histórias, alimentar nossos valores. Isso muda nossa vida e muda o mundo.

Não somos um barco à deriva. Acredito no inconsciente, na psicologia, mas também acredito nos meus valores, e uma boa parte deles vem de filmes e livros americanos que exaltam o quanto a pessoa pode mudar a própria vida. Há o incontrolável e o imprevisível, mas também há uma boa parcela daquilo que só depende de nós mesmos. Nossos pensamentos, nossas decisões, nossas ações. E tudo começa com algo singelo como ser capaz de gostar de si, de saber contar pra você mesmo, e pra outros se for o caso, uma história bonita sobre quem você é.

Cultive pensamentos bons sobre você. Se olhe mais no espelho, especialmente na luz do dia, de preferência nos horários de luz bonita. Tire fotos suas, tire selfies, tire fotos com gente querida, sorrindo. Construa sua história.

Eu sou maravilhosa e tenho uma vida maravilhosa, e não é por acaso. Se eu não tivesse me livrado das neuras de achar que não era bonita ou boa o suficiente, nunca teria começado a namorar o Cris. Se eu não tivesse segurança sobre mim, talvez tivesse caído em alguma das várias armadilhas dos nossos primeiros 2 anos juntos, em que a gente quebrava o pau com frequência. Se eu tivesse algum tipo de culpa nipônica ou preocupação com o que os outros vão pensar, nunca teria me aposentado aos 34 anos, viajaria muito menos, fotografaria muito menos, e talvez nem tivesse um blog.

Viram como as coisas que você pensa sobre você e seus valores são cruciais nas suas escolhas e vão moldando sua vida?

Cultive gostar de você até se sentir foda linda incrível maravilhosa. E o mundo vai acompanhar.