bruxa verde

Eu e a magia – bruxa verde

Magia, mágica, bruxa são palavras amplas e talvez mais carregadas de preconceitos e desprezo do que feminismo. Tanta gente se diz feminista e presta um desserviço pro avanço da humanidade. E no caso da magia… é simplesmente amplo demais, não tenho a menor pretensão de dizer quem pode ou não pode se declarar adepto da magia.

Há muitas imagens assustadoras de magas e bruxas. Não as más, estou falando das espalhafatosas, as cheias de certezas, rituais, talismãs, trejeitos, diagnósticos… charlatanismo. Quem quer se identificar com magia nesses termos?

Mas a magia não é só isso, tenho certeza. Nunca tive um guru, mas acredito de verdade que há pedaços da verdade espalhados em livros, filmes, frases aleatórias, e pescando de fragmento em fragmento, sei que há um caminho com o qual me identifico: auto-conhecimento, disciplina, coragem, franqueza, bondade, gentileza, respeito, doação, compartilhar. Ser capaz de identificar a sua arte e compartilhá-la com o mundo. Tentar sempre agir pelo bem, pra incentivar as pessoas, promover as ideias de vida boa, controle sobre sua vida, ações pra melhorar sua vida – e, assim, você também melhora a vida de todos com quem você tem contato.

Energia, intuição, aprender a ouvir e respeitar sua intuição, especialmente sua impressão sobre as pessoas e suas intenções, suas virtudes e fraquezas.

Sou bruxa? Um tempo atrás falei que não era, que gosto das bruxas mas sou samurai. Mas a gente tem que ser uma coisa só? Acho que não, acho que podemos ser muitas coisas, e hoje li uma mensagem que me tirou lágrimas e arrepios:

Boa noite, Claudia!! Estou lendo seu blog, e senti a necessidade de vir aqui te contar uma coisa: você é uma bruxa verde!
Já fizeram isso por mim, uma bruxa que eu admiro muito veio me contar que eu era uma delas, e acho que é meu dever passar a mensagem adiante ao identificar uma bruxa verde. Você é a primeira!

Pra começar, na bruxaria verde, somos eremitas e possivelmente misantropas rs não veneramos deuses (nem cristãos, nem pagãos), nós veneramos apenas a própria natureza, seus elementos e seres vivos. Rituais, como os que têm na wicca, não fazem parte da prática. Nossa prática consiste em encher nosso dia-a-dia de significado e contemplação, e ela evolui no mesmo ritmo que a ciência evolui. Enfim… Achei um texto que vai te explicar melhor que eu.
http://www.magiazen.com.br/bruxa-verde-ecologica.html
Beijos e um abraço apertado!!

A moça que me mandou isso nem sabia que uns dias atrás escrevi pro meu grupo do 1º grau, decidi responder o “qual a sua religião?”, e contei que cresci numa família espírita, mas que não sou mais espírita. Não nego o espiritismo, só acho que existem muitas verdades, e que talvez a melhor palavra pra mim seja agnóstica, que nos passeios em meio à natureza são os momentos em que mais me sinto perto de algo que transcende. E falei sobre o Daniel ter me contado que acha que é ateu, e eu ter falado que tudo bem, que só importa ele ser bom e fazer o bem.

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Durante um tempo participei de um grupo de bruxas. Entrei pro grupo porque eu frequentava uma sala de chat do uol, que falava sobre assuntos filosóficos, e uma das mulheres da sala me chamou pras bruxas, falou que meus questionamentos tinham tudo a ver com bruxaria. Foi graças a elas que experimentei a ayahuasca.

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Sou bruxa?

Sim, acho que sou bruxa.

Não uma bruxa pra rituais e venerações, mas uma conectada com a natureza. Estava lendo sobre bruxaria verde, green witchery, e posso não ser alguém com horta ou conhecimentos de cura usando ervas. Mas sei que tenho mãos boas, capazes de massagear as têmporas de alguém e fazer uma dor de cabeça diminuir ou até ir embora. Às vezes faço pratos deliciosos, e essa é uma das formas de magia.

Enxergo cada vez mais. É uma escolha, não? Posso dizer que passei a andar mais devagar, prestando mais atenção, e com isso enxergo animais e plantas que antes passavam despercebidos. Mas também posso falar que aconteceu algo mágico na minha vida, um encanto, e foi como um véu caindo, o mundo se tornando maior, imagine como é legal ser capaz de andar numa trilha e de repente topar com lagartos lindos, caracóis minúsculos, aranhas incríveis.

Enxergo cada vez mais, não só nos passeios, mas na edição das minhas fotos. Estou revendo imagens e achando fotos lindas onde antes eu não via – porque tinha a visão como dos meus colegas, pra quem espécie rara, proximidade, penas super-definidas, ângulo ortodoxo, luz favorável, fundo homogêneo, são elementos tão importantes.

Enxergo cada vez mais, não só nos passeios, não só na hora de editar as fotos, mas pra me enxergar, pra enxergar os outros, pra não desperdiçar mais meu tempo com quem não tenho sintonia, e pra ser capaz de procurar e enxergar as pessoas com quem me identifico.

Há explicações perfeitamente mundanas pra isso, que não requerem o uso de uma palavra tão controversa. Mas nunca me importei com controversas, ou melhor, algo ser controverso dá até um apelo a mais. E as explicações mundanas e estéreis te fazem abdicar da poesia. Então quando eu olho pra um canto e de repente enxergo o lagarto, e a amiga que está ao meu lado não tinha visto (sendo que ela tem uma visão ótima pra aves, muitas vezes enxerga antes de mim); ou quando me ajoelho pra ver um sapinho, que já é minúsculo, e de repente vejo uma planária terrestre tricolor incrível, ou quando estou passeando os olhos e vejo o caracol de 3mm, é uma escolha eu dizer que isso é apenas minha visão cada vez mais treinada. Ou dizer que isso tem relação com magia, e que meus poderes de bruxa me ajudam a olhar pro lado certo, no momento certo.

E quando divulgo fotos da natureza, e faço as pessoas pararem pra olhar, talvez até mudar um pouco de sintonia, inclusive pra pensar na natureza de forma mais ampla e não só como uma coleção de lifers… bom, isso pra mim também parece ter uma boa dose de magia.

 

O rótulo não importa. Bruxa verde, ou mesmo bruxa ou não bruxa. Tem tantas coisas que a gente não precisa de uma palavra. Só sei que é uma escolha, e escolho viver com mais essa dimensão na minha vida, em ter mais essa riqueza no meu dia a dia.

Muito obrigada, …. por ter me chamado de bruxa. Mal vejo a hora de nos encontrarmos ao vivo.

 

Estas são algumas das fotos que fiz nos últimos 5 meses, depois que passei a enxergar mais. Andando nos mesmos lugares que vou há anos, mas antes não enxergava esses bichos: