Eternamente presos a papéis?

Rick Riordan é autor de livros infanto-juvenis, o tipo de coisa que de vez em quando está nas minhas mãos, porque meu enteado é um leitor voraz de romances.

Riordan tem vários livros, mas os mais legais são as crônicas dos Kane. Dois irmãos adolescentes tendo que lidar com deuses e demônios egípcios para salvar o mundo. Riordan usa uma ideia muito boa: a de que os deuses são tapados e limitados ao papel deles. A eles estão vedadas a criatividade e inovação, pode contar que eles sempre seguirão a mesma linha.

É o que acontece com as pessoas quando se rotulam, ou acreditam em um rótulo que os outros pregam nela, não?

Assim vemos os céticos reclamando sempre das mesmas coisas, os otimistas sempre crentes num final feliz, os nerds e geeks tendo que ser sempre os primeiros a saber de qualquer coisa, os ambientalistas, os críticos políticos, os críticos culturais, a baladeira, o garanhão…

Sempre penso “e eu?”. E eu. Que nem birdwatcher consigo ter certeza, nem posso sustentar um otimismo imortal. Acho que uma das minhas prisões é sempre pensar no significado de palavras, posturas, intenções. Outra é de evitar grupos, ser ermitão, achar que diversão de verdade é entre poucos e bons. E também e a de não ter a menor paciência para papo furado. Exceto as pessoas de quem gosto da companhia e vice-versa, e aí não importa o assunto, pode inclusive ser o silêncio.

Será que um dia serei capaz de agir diferente? Provavelmente não, já que o primeiro passo é querer. Mas não posso reclamar se acabar numa situação como a da deusa caçadora que ia matar os protagonistas, e foi enganada pela Sadie, que conseguiu convencer a deusa de que havia uma presa muito maior, mais desafiadora e perigosa do que os dois, e que daria muito mais status para a deusa. As perigosíssimas jujubas, um perigo enorme.