Estamos realmente vivendo uma batalha pela Terra Média? – Parte 1 – realidade e ficção e realidade

Já devaneei sobre o tema algumas vezes. Uma grande suspeita de que há relações invisíveis mas fortes entre realidade e ficção, como tentáculos, braços, brumas de um mundo tocando e moldando o outro.

O querido Oscar Wilde, por exemplo, deu uma dica, com aquela frase “O que você lê no seu tempo de lazer determina como você será quando for pego de surpresa”. “It is what you read when you don’t have to that determines what you will be when you can’t help it”. A tradução literal seria “É o que você lê quando não tem que fazê-lo que determinará o que você será quando não puder evitar”, mas pra mim essa frase em português é obscura. Uma interpretação mais direta ainda dessa frase é “você é o que você lê”.

E pra mim isso é totalmente verdadeiro. Nossas ações têm como base experiência, vivência. Aquilo que tiramos de letra em geral exigiu muito treino. Mas, e quando você topa com uma situação que você nunca viveu, o que você faz? Você pode recorrer ao instinto, ao sorteio, ou tomar como base histórias ouvidas, lidas, assistidas. E assim a ficção vai moldando a realidade.

Dois exemplos de que sempre falo. O 11 de setembro e a minha história com o Cris. Menos de 1h depois que o primeiro avião atingiu o WTC, mais de mil bombeiros já tinham se voluntariado – inclusive os em férias, aposentados, e os recém-saídos do treinamento. Desses mil, 411 morreram. Prédio em chamas, sem elevador, tendo que subir com 23kg de equipamento nas costas, muita fumaça, rádios que não funcionavam, consciência de que não tinha como apagar o incêndio, estavam lá pra ajudar a resgatar pessoas. Acredito de verdade que a prontidão pro sacrifício está na cultura dos Estados Unidos, e influenciada e reforçada pelas obras de ficção, que se baseiam em histórias reais mas que também contam com muitas licenças poéticas.

Este textinho do ig é bem tocante: http://ultimosegundo.ig.com.br/11desetembro/falha-em-radios-e-peso-extra-selaram-destino-de-bombeiros-no-11-de-setembro/n1597188058963.html

Minha história com o Cris, e que eu acredito que é o mesmo mecanismo com muitas pessoas, é o quanto seus sonhos, pensamentos, (que têm uma boa influência do que você gosta de ler, de assistir) influenciam sua vida. Sempre me interessei por histórias inspiradoras, redentoras, românticas, com final feliz. E acredito que isso permitiu que minha história com o Cris desse certo. Eu poderia ter um outro molde do que é o mundo, de como as pessoas funcionam, achar que seria impossível a gente dar certo, e com certeza teria me boicotado e sabotado bastante nosso relacionamento – que é o que muita gente faz. Porque elas têm na cabeça o molde errado, tristonho, pessimista, sombrio, cínico do que é a vida, do que é um relacionamento, do que é a realidade.

Essa história do molde na cabeça é uma mistura de qual tipo de ficção te inspira, com a área de quartinho fedorento que você tem dentro de você. Tem gente que até gosta das histórias boas, mas não consegue diminuir a área de coisas podres e quebradas dentro de si, e assim não consegue evitar auto-sabotagem.

Mas qual a relação de tudo isso com batalha na Terra Média? É a ideia de que o Brasil é mesmo dominado por Orcs. No próximo post.