Espirais – Manifestações 2016 e o provável fim da Lava Jato

Uma consultora econômica de São Paulo, no dia do vazamento do grampo, escreveu um artigo chamado Bum! Fim da Dilma, fim do Lula, fim do Moro, fim da Lava Jato.

O fim do Moro e da Lava Jato são mais prováveis. O do Lula e da Dilma talvez se arraste alguns meses.

Ainda continuo feliz. Me sentindo grata ao juíz Moro por ter alimentado essa nossa esperança de que é possível lutar contra a corrupção, mas sem achar que ele tem que ser defendido a qualquer custo. Se errou, errou. Se errou feio a ponto de ser destituído e as operações desmanteladas, pode acontecer, muita gente está torcendo e agindo por isso. Mas agora passei a acreditar que é possível fazer algo que não vai levar 50 anos pra ter efeito, e o trabalho da Operação abre precedente para outros.

Com toda manipulação da mídia, e mesmo sabendo que os movimentos não teriam ganhado essas proporções se não fossem essas manipulações, eu, e imagino que muitos outros brasileiros, agora nos olhamos maravilhados. Por saber que somos capazes de participar de ações que podem pressionar por justiça.

Worst Case Scenario: fim do Moro, da Lava Jato, e grande articulação dos corruptos para evitar que haja futuras investigações, ou impedir que as futuras investigações tenham tanto poder. E mesmo assim não partimos do zero. Tenho certeza de que após ver os resultados da Lava Jato, muitos juízes, advogados policiais também passaram a acreditar que é possível investigar, repatriar dinheiro, colocar os culpados no banco dos réus, conseguir delações premiadas. E as pessoas comuns descobriram que o ativismo de sofá não é banal e idiota como tanta gente fala, que conversar sobre nossos problemas cria as condições psicológicas necessárias pra sair às ruas e exigir mudanças. Mesmo as petições ou uma enxurrada de mensagens também têm seu efeito nas instituições.

O próximo Moro talvez erre tanto ou mais do que o atual. Não tem problema. Continua tendo minha gratidão por batalhar por algo tão espinhudo e difícil, mas que é essencial pra nossa sanidade como país.

Não há motivo pra esmorecer ou pra voltar a desanimar. Não há desonra em tentar e ser derrotado, ou ter que ir embora antes de terminar o que você queria fazer, ainda mais quando o inimigo é tão grande e monstruoso como a corrupção. Faz sentido que ele não seja derrotado com um golpe, certo? Mas é de passo em passo, mesmo que errando, exagerando, sendo vaiado ou crucificado, que a gente caminha pra frente.

Lutar contra algo tão enraizado na nossa cultura, como a corrupção e o machismo, é pedreira mesmo. Mas ser difícil e exasperante não é motivo pra não lutar, porque as condições atuais são intoleráveis.

Talvez seja o fim do Moro. Mas ele sempre terá minha gratidão.