Dos meus encontros com as criaturas mitológicas

“É preciso incorporar a disposição pra lutar ao nosso estilo de vida”

– um momento de iluminação trazido por uma criatura que trabalhou décadas pro governo, participou da construção do Código de Defesa do Consumidor, participava de processos para ajudar a diminuir a burocracia em processos — e estava me explicando que a gente precisa lutar sempre, mas sem se arrebentar.

Eu choramingava o quanto os birdwatchers são apáticos, e ele me explicava “é assim mesmo, as pessoas são assim. Vamos continuar nosso trabalho de formiguinha, vamos levando… só o que não pode é desencantar de vez. Faça as coisas de um jeito que você esteja sempre envolvida em alguma luta, mas num ritmo que você consiga tocar o resto da sua vida sem se torturar porque as coisas acontecem devagar, ou porque as pessoas não participam nem ajudam”.

Parece óbvio? Não era. Eu estava indo pro dark side. A conversa com essa criatura mitológica me ajudou a enxergar que os sentimentos sombrios frequentes são o sinal de que é preciso desacelerar. Continuo trabalhando, publicando, pensando em formas de influenciar as mudanças. Mas num ritmo diferente. E mais conformada que não é pura falta de charme: é realmente foda fazer as pessoas moverem uma palha, mesmo sendo algo que vai trazer benefícios diretos pra elas.

—- x — x

“Seus textos sobre misantropia já haviam me sensibilizado bastante. Essa resposta, que foi publicada no blog, foi a cereja em cima do bolo. Desde que comecei a ler, entender e aceitar que isso faz parte de mim, as coisas se tornaram muito mais fáceis, de uma forma que sequer acho que eu seja capaz de explicar.”

Como descrever a satisfação em saber que ajudei um outro misantropo a descobrir que não somos aberrações precisando de terapia? Que temos o direito de viver assim, e que não tem nada de errado nisso.

Não tenho palavras.

Ou talvez dizer sol morno brilhando no peito.

 

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