Divagações de não-cristãos em época Natalina

É Natal, e meus pensamentos não estão com o menino Jesus, cordeiro de Deus, pecados do mundo. É Natal, e tudo em que eu consigo pensar é final de ano, fechamento de ciclos.

2014 foi um ano forte pra muitos conhecidos. Em termos emocionais, profissionais, pessoais. 2014 tinha um rótulo na cestinha de anos: not for sissies. Demissões, novos desafios profissionais, bebês, mudanças de cidade, separações, mortes, fim de grandes projetos. Ok, conheço um monte de gente (conhecidos da internet entram na conta), então a mente analítica pode dizer que sou apenas eu inventando um padrão, que em qualquer ano que eu parar pra olhar haverá uma quantidade semelhante de pessoas com grandes acontecimentos na vida. Provavelmente sim. Mas o fato é que não são todos os anos em que tenho esse sentimento de grandes acontecimentos, já encerrei vários anos com a sensação de morosidade, de ano arrastado. Não 2014. Alguns bem queridos agora têm um “2014” tatuado ou martelado em algum cantinho. Perto do coração. Na nuca. No dorso da mão. Na parte interna da coxa. Antebraço. Mas lá está: 2014, um ano pra não esquecer.

Acabou. Acaba em alguns dias, só mais uns poucos dias. 2015 começará com muito trabalho nas áreas em que o vendaval 2014 deixou sua marca, mas mudança é sempre pro bem. Claro: os casos das pessoas que tiveram que enfrentar a morte de pessoas queridas, esses é bem mais complicado… um pai com câncer há anos, ainda há um alento pelo fim do sofrimento. Uma filha adolescente que morre num acidente de carro já é algo que só fé e muita força de vontade pra não enlouquecer. Mas a martelada mais doída fica em 2014, e cada dia que passa o tempo corre a nosso favor.

Not for sissies, nem pros fracos do coração. Na maioria das vezes pouco palatável, em alguns momentos profundamente assustador, escuro e aterrorizante como dar um passo no escuro. Mas com um pouco de fé, e mais um pitada dos otimistas incorrigíveis, dá pra ver que a apenas poucos passos pra frente há undiscovered land. E que parece linda.

Se eu não voltar antes do 1º de janeiro, aceitem meus votos. Pra quem sofreu horrores, mesmo que tenha sido um único dia de dor excruciante que contaminou a vida inteira, solidarizo com um putaqueopariu2014vaisefoderatéqueenfimacabou! Pra quem não sofreu tanto assim, mas ainda não sabe se 2015 será um touro bonzinho ou endemoniado, meus votos de que a elegância possa acompanhar todos os seus passos. Que sejam todos passos leves, mas firmes, de quem não se traiu e continua firme na trilha por uma vida menos ordinária, em busca de cada vez mais momentos bons na companhia de pessoas queridas, e cada vez menos cornices, especialmente se for na companhia de quem não presta.

Lembrem dos meus conselhos de misantropa feliz: antes só do que mal acompanhado. Não gaste sua beleza com quem não te merece. Solidão é amiga da reflexão verdadeira. Dispersão de redes sociais e internet no geral é plano do demônio a favor de vida fake, não caia nessa. Invista sempre em saber quem é você, do que você gosta, o que você quer. “Seja você mesmo! Todos os outros já existem” 🙂

Brinde, e feliz 2015.