Das grandes vantagens de se ter bons amigos

Não basta fazer o rapa e se livrar de quem te deixa pra baixo. Você precisa manter o passo e chegar do outro lado, que não é o de encontrar um bando de puxas-saco, e sim as pessoas que são pessoas de verdade, seres humanos de verdade, que se importam com você, querem o seu bem, ficam felizes em te ajudar ou de saber que você está feliz e, principalmente, são capazes de te falar quando você está fazendo alguma coisa errada, ruim, ou mané.

A última parte é muito difícil, obviamente. O estresse de confrontar alguém querido com um assunto que pode virar uma discussão e aborrecimentos só vale a pena quando é algo muito importante. É comum vermos nossos amigos fazendo manezadas. Mas são nossos amigos, nós os conhecemos, sabemos como são as ondas que vêm e vão. O mais comum é eles não quererem saber nossa opinião, só nos calamos. Brindamos quando é pra brindar, oferecemos o ombro quando é pra chorar, e pronto.

Mas nossos amigos queridos estão nos observando atentamente, amorosamente. Observam nossos movimentos, nossas companhias. Possuem a famosa argúcia de quem olha de fora, com sabedoria e imparcialidade. E se fôssemos um pouco mais espertos, só um pouco, reconheceríamos os amigos com esse dom de analisar e os consultaríamos com mais frequência. Não como adolescentes que precisam checar o tempo inteiro a própria opinião com a da melhor amiga, mas com o privilégio de quem possui um oráculo particular, capaz de deixar às claras suspeitas que você não quer reconhecer.

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O que você sabe sobre alguém num primeiro olhar, em alguns minutos de conversa? Muita gente acha que você não sabe nada, e que é errado julgar. Bom, quem pensa assim realmente não deve julgar, porque está desconectado com o pedaço de si que sabe muito mais do que imaginamos. Intuição. Inconsciente. Espiritualidade. Deus. Há muitos nomes pra isso, e também não acho que é fácil se sentir o tempo inteiro conectado com esse oceano. Mas se você entra na vibe certa, você sabe, você vê, você ouve. Você também pode pensar que não há nada não-explicável no dom: simplesmente algumas pessoas são capazes de inferir instantaneamente muita coisa a partir de postura, tom da voz, escolha das palavras e dos temas, linguagem corporal, aparência. Pra mim a origem do dom não faz diferença, eu apenas sei que há pessoas capazes de saber muito num primeiro olhar e em poucos minutos.

Falo e ouço, não com a certeza de ideias infalíveis, mas sabendo que as conversas sobre impressões e intuições sempre vão me ajudar a pensar com mais profundidade sobre alguém.

Escrevo tudo isso só pra te falar muito obrigada, de coração, por compartilhar comigo suas impressões. Eu já estava meio desconfiada, mas conversar com vocês me deu mais clareza e tranquilidade.

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“Você acha que [x – não vou dar nome aos bois nesse caso, os entendidos que advinhem] é o signo das pessoas desumanas? [x] é um signo desumano?”

“[x] tem uma vida intelectual e mental muito intensa. Eles ficam lá, pensando em grandes questões da humanidade, daí você fala ‘Ei, você está pisando no meu pé’, e ele vai te falar ‘Desculpe, não vi’, ‘É disso que eu estou falando’. Eles ficam pensando em grandes questões, e não conseguem olhar direito pras pessoas ao redor.”

“É o que eu tinha imaginado, essa é a impressão que eu tenho. Não todos, é claro… mas vários que conheço são assim. Uma dificuldade pra realmente olhar pras pessoas como indivíduos”

“[x] tem um pouco de [y] que é o signo das pessoas geniais e desumanas. Mas [y] sempre faz as coisas com o objetivo de ganhar algo. [x] é capaz de fazer manezadas e chatear, mas sem estar ganhando nada com isso”.